Deputado leva MP a apurar privatização da Celepar
Ministério Público do Paraná instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades .
Foto: Valdir Amaral O Ministério Público do Paraná (MPPR) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades em orientações emitidas pela Casa Civil do Governo do Estado relacionadas à Celepar durante o processo de privatização da empresa.
A apuração tem como origem uma representação apresentada pelo deputado estadual Requião Filho (PDT), que questionou a legalidade e a transparência das medidas recomendadas pelo governo.
O procedimento busca esclarecer os efeitos do Ofício Circular nº 47/25, uma orientação da Casa Civil para que órgãos estaduais antecipassem contratações, prorrogações contratuais e outros atos administrativos envolvendo a estatal. Para Requião Filho, a decisão do MPPR confirma a necessidade de uma investigação aprofundada sobre a condução do processo de venda da empresa.
“A abertura do inquérito demonstra que nossas preocupações tinham fundamento.
Desde o início alertamos para a tentativa de preparar a Celepar para a venda sem a transparência necessária e sem esclarecer os impactos dessas medidas para o Estado e para os paranaenses”, afirmou Requião Filho.
Em junho de 2025, Requião Filho fez questionamentos junto ao MPPR, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) e à própria Casa Civil sobre a recomendação para que órgãos estaduais realizassem novas contratações, antecipassem prorrogações contratuais e formalizassem termos relacionados à exploração comercial de softwares e códigos-fonte desenvolvidos pela estatal.
Em resposta, o governo não informou quantos contratos seriam afetados, quais os impactos financeiros das medidas, nem apresentou os estudos que embasaram as orientações da Casa Civil.
Para Requião Filho, a resposta foi absurda e deixou sem esclarecimento os principais questionamentos sobre custos, legalidade e proteção de dados públicos.
“A Casa Civil respondeu sem responder. Ignorou perguntas objetivas e preferiu justificar a privatização.
É justamente essa falta de transparência que precisa acabar. Esperamos que o Ministério Público investigue de perto o que está acontecendo com a tentativa de venda da Celepar”, destaca.
Requião Filho também lembra das contradições apresentadas pelo próprio governo ao defender a privatização da estatal. Enquanto a privatização da Celepar foi defendida publicamente pelo governador por ser uma empresa “obsoleta”, a imprensa revelou um documento sigiloso elaborado pelo próprio Governo do Estado para apresentação a investidores que retrata a estatal como inovadora, estratégica e lucrativa.
Para o deputado, as suspeitas sobre a condução do processo só aumentam.
“Se a Celepar é obsoleta para permanecer pública, como o governo afirma, por que ela é apresentada como uma empresa moderna e promissora para atrair investidores?
O governo está vendendo tudo o que pode e beneficiando investidores que não estão preocupados com o futuro do Paraná”, critica.
A Celepar administra sistemas estratégicos e dados sensíveis dos paranaenses nas áreas de saúde, segurança pública, educação e arrecadação. Contrário à privatização da empresa, Requião Filho defende transparência e atuação dos órgãos de fiscalização.
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