Caixa fez 101 mil contratos de renegociação de dívidas pelo Novo Desenrola Brasil Marcelo Camargo / Agência Brasil O Novo Desenrola Brasil do governo federal completou um mês na última quinta-feira, 5. Os resultados obtidos até agora mostram adesão dos consumidores à iniciativa. O programa funcionará pelo período de 90 dias e está disponível para brasileiros inadimplentes que tem a renda mensal de até cinco salários mínimos — R$ 8.105 com débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
Os descontos variam de 30% a 90% sobre o valor principal, além de juros limitados a 1,99% ao mês. O programa também permite a utilização de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a quitação das dívidas.
Até o momento, foram R$ 3,84 bilhões em dívidas renegociadas apenas na Caixa Econômica Federal.
101 mil contratos foram feitos por meio do programa. O programa conta com quatro frentes no banco público: Desenrola Famílias direcionado a pessoas físicas; Desenrola Fies, para estudantes com débitos vencidos e não pagos até 31 de janeiro de 2026; Desenrola Rural, destinado a agricultores familiares, assentados da reforma agrária, cooperativas e povos tradicionais; e Desenrola Empresas, focado para microempreendedores individuais (MEI), micro e pequenas empresas que buscam melhores condições de crédito.
Primeiras duas semanas
No âmbito do Desenrola Famílias, em menos de duas semanas, 1.134.507 operações foram renegociadas ou liquidadas, equivalentes a cerca de R$ 10 bilhões em dívidas, conforme levantamento parcial do Ministério da Fazenda.
Dessas mais de 1 milhão de dívidas, 449.003 operações foram quitadas à vista até 14 de maio, com desconto médio de aproximadamente 85%. Os débitos originais dessas operações somavam R$ 1,06 bilhão, enquanto o valor efetivamente pago pelos consumidores foi de R$ 154,2 milhões.
O programa oferece descontos para dívidas feitas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos, incluindo débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
As condições incluem:
- descontos de 30% a 90%;
- juros máximos de 1,99% ao mês;
- prazo de até 48 meses;
- até 35 dias para pagamento da primeira parcela;
- limite de até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira (após descontos);
- aval do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
Para facilitar a vida daqueles que pretendem renegociar a dívida do Desenrola Famílias, o Ministério da Fazenda disponibilizou uma calculadora que auxilia a estimar os valores das pendências após o desconto e o valor de cada parcela.
Fies
O Desenrola Fies teve 34.087 contratos renegociados até o dia 19 de maio. As dívidas originais somavam cerca de R$ 2,04 bilhões e, após descontos médios de aproximadamente 80%, os contratos refinanciados passaram a totalizar cerca de R$ 410,2 milhões.
No último Desenrola Fies, voltado à renegociação de contratos do Fundo de Financiamento Estudantil, mais de R$ 17,7 bilhões em dívidas estudantis foram resolvidas. Neste ano, os descontos podem chegar até 99%.
Os irmãos Igor Cartiê e Iago Silva foram dois dos beneficiados pelo programa. Ambos moram na cidade de Itajuípe, no Sul da Bahia, e ingressaram no curso de Jornalismo no ano de 2014. Desde a graduação, Igor e Iago acumularam uma dívida de R$ 88,4 mil e R$ 67,6 mil, respectivamente.
Ao abrir o período de adesão ao Desenrola, Igor e Iago conseguiram o desconto de 99% por estarem incluídos no grupo do CadÚnico (em situação de vulnerabilidade social) e com débitos vencidos há mais de 360 dias. Hoje os valores a serem pagos são R$ 884,46 e R$ 676,77, que inclusive podem ser parcelados.
Com a situação estável e o CPF desbloqueado, os irmãos pretendem aproveitar a oportunidade para aprender mais sobre educação financeira e evitar novos endividamentos. Igor planeja realizar a tão esperada viagem de formatura que nunca teve a condição, e Iago celebra o equilíbrio financeiro de poder futuramente adquirir uma casa própria.
Inadimplência
A diretora do Serasa Aline Maciel explica que “muitas pessoas querem negociar suas dívidas, mas ainda enfrentam obstáculos como falta de acesso digital, insegurança ou dificuldade para entender as opções disponíveis”.
O cenário de inadimplência segue pressionando o orçamento das famílias brasileiras.
Segundo último levantamento da Serasa, o país atingiu a marca histórica de 83,3 milhões de pessoas em abril, aumento de 0,67% em relação ao mês anterior, que corresponde a mais da metade da população adulta do país (50,8%).
Ao todo, os brasileiros acumulam 342 milhões de dívidas negativadas e o valor médio de dívida por pessoa chegou a R$ 6.814,39.
Bancos e cartões de crédito representam 27,5% do total das pendências, seguidos por contas básicas (21%) e financeiras (19,8%), empresas que concedem crédito, mas não se enquadram como bancos.
“Em um cenário de inadimplência recorde, ampliar o acesso às negociações se torna ainda mais importante. Buscar a negociação é o primeiro passo para que o consumidor recupere seu acesso ao crédito e sua capacidade de planejamento, garantindo mais estabilidade e tranquilidade financeira”, reforça Aline.
Para facilitar o acesso à renegociação de dívidas, o Serasa fez uma parceria com os Correios, na qual os consumidores poderão negociar dívidas presencialmente em todas as agências do país. “Levar esse atendimento para as agências dos Correios é uma forma de democratizar o acesso às negociações e incentivar a retomada financeira da população”, diz a diretora do Serasa.
Como renegociar as dívidas?
Aqueles que quiserem aderir ao Novo Desenrola Brasil, devem procurar os canais oficiais das instituições em que possuem dívidas. Nelas, deve haver um espaço dedicado para a renegociação. O atendimento presencial também é possível em agências bancárias, ou no caso do Serasa, em agências dos Correios.
COMENTÁRIOS