Operação que investiga fraudes do Banco Master completa seis meses.
Fases já executadas indicam maior fraude contra o SFN já registrada
Rovena Rosa/Agência Brasil A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga as fraudes do Banco Master, completa seis meses com 21 prisões temporárias, 116 mandados de busca e apreensão e bloqueio de R$ 27 bilhões em bens e valores.
As seis fases já executadas até esta segunda-feira (18) indicam a maior fraude contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN) já registrada, com prejuízo estimado em dezenas de bilhões de dólares.
As fraudes revelam uma intrincada teia de relações envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com políticos, ministros, servidores do Banco Central e da Polícia Federal e facções criminosas.
Primeira fase
A primeira fase da Compliance Zero foi em 18 de novembro, com a prisão de sete pessoas, incluindo Daniel Vorcaro. A investigação apontava a fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro, ou seja, sem garantia real.
Nesse processo, o BRB, o Banco de Brasília, pertencente ao governo do Distrito Federal, negociava a compra do Banco Master, mas acabou impedido pelo Banco Central, antes mesmo da operação da PF. Mesmo sem a compra, o BRB acabou adquirindo parte desses títulos fraudados do Master, o que pode levar o banco público à falência, caso não consiga empréstimos para continuar sua operação.
A investigação policial levou ao afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que hoje está preso e negociando uma delação premiada. Vorcaro também tenta acordo com a justiça para esclarecer os seus crimes em troca de redução de pena.
Em meio à operação, o Banco Central oficializou a liquidação judicial do conglomerado do Banco Master, incluindo o Letsbank, o Will Bank e o Banco Pleno. Até o momento, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) gastou R$ 49 bilhões para ressarcir parte dos clientes do Master.
Rede de influência
As outras fases da operação – realizadas em janeiro, março, abril e maio – revelaram a complexa rede de influência do Master. Entre os envolvidos estão o pastor da Igreja da Lagoinha, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro; o empresário Nelson Tanure; e o ex-gestor do fundo Reag de Investimentos João Carlos Mansur. A polícia investiga as relações desse fundo com o crime organizado.
Milícia particular
Com a quebra de sigilo de Vorcaro, ainda foi detectado que o banqueiro tinha uma milícia particular para intimidação e coação de desafetos, chefiada por Luiz Phillipi Machado, conhecido como Sicário, que tirou a própria vida na carceragem da PF em Belo Horizonte, de acordo com conclusão de inquérito da corporação.
Ciro Nogueira
A Compliance Zero revelou ainda relações do senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, com a família Vorcaro. Ele é suspeito de atuar em prol de interesses do banqueiro no parlamento, recebendo uma mesada de R$ 300 mil a R$ 500 mil mensais, além de outras vantagens.
A última fase da operação, realizada em 14 de maio, prendeu mais seis pessoas preventivamente, entre elas o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, após a revelação de que ele seguia no gerenciamento da milícia que atacava opositores do esquema.
Flávio Bolsonaro
Na última semana, novas revelações do site Intercept Brasil demonstraram a relação de Daniel Vorcaro com o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, que, em áudios, cobrava do banqueiro o repasse de mais de R$ 130 milhões, alegando que os recursos eram para a realização de filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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