Paraná, o 2º em violência sexual contra crianças.
Casos de violência sexual contra crianças triplicam no Brasil; Paraná aparece em 2º lugar
Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil O número de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual no Brasil mais que triplicou nos últimos dez anos, segundo dados do Ministério da Justiça. Em 2015, foram registrados 19.496 casos.
No ano passado, 2025, o total chegou a 59.366 vítimas, uma alta de 204,5% no período.
O Paraná aparece em posição preocupante: é o segundo estado do país tanto em número absoluto de registros quanto na taxa proporcional de vítimas.
Desde 2015, os estados com maior quantidade de vítimas são São Paulo, com 100.571 casos; Paraná, com 55.809 registros; Minas Gerais, com 41.703; Rio Grande do Sul, com 40.921; e Pará, com 34.969.
Apesar de São Paulo liderar em números totais, o Paraná apresenta índice proporcional elevado.
Em 2025, o Estado registrou taxa de 44,93 vítimas por 100 mil habitantes, acima da média nacional.
O Pará aparece com 54,21 vítimas por 100 mil habitantes, enquanto São Paulo registra 26,56.
Brasil mantém patamar recorde de casos
Entre 2015 e 2025, o painel nacional contabilizou 486.001 vítimas, o equivalente a uma média de 121 registros por dia. Os três maiores números da série histórica ocorreram entre 2023 e 2025, período em que o país permaneceu acima de 59 mil vítimas anuais.
Em 2023, o Brasil atingiu o maior número da série, com 59.779 registros. Em 2024, foram 59.666 vítimas, e em 2025, 59.366 — números praticamente estáveis, mas ainda em patamar extremamente alto.
A divulgação dos dados ocorre em meio ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado nesta segunda-feira, 18 de maio. A data foi instituída em 1998 para reforçar a mobilização nacional contra esse tipo de crime.
Denúncias aumentaram, mas violência ainda é subnotificada
Especialistas apontam que parte do crescimento dos registros pode estar ligada ao aumento das denúncias e à maior capacidade da rede de proteção em identificar casos que antes ficavam escondidos.
A delegada Monique Lima, titular da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo, avalia que profissionais de saúde, professores, assistentes sociais e policiais passaram a reconhecer melhor os sinais de abuso. Para ela, muitas situações que antes permaneciam dentro de casa agora chegam ao conhecimento das autoridades.
Mesmo assim, o problema ainda é considerado grave e subnotificado. A maioria dos casos envolve vítimas menores de 14 anos, enquadrados como estupro de vulnerável.
Segundo especialistas, grande parte dos crimes é praticada por pessoas próximas da vítima, muitas vezes dentro do próprio ambiente familiar. Isso torna a identificação mais difícil e reforça a importância da escola, dos serviços de saúde, dos conselhos tutelares e da comunidade na proteção de crianças e adolescentes.
Violência que atravessa classes sociais
A delegada Monique Lima destaca que a violência sexual contra crianças e adolescentes não está restrita a uma região, bairro ou classe social. Na maioria das vezes, o agressor é alguém do convívio familiar ou social da vítima. O pesquisador Daniel Cerqueira, um dos coordenadores do Atlas da Violência, também avalia que o aumento dos registros pode refletir uma redução da subnotificação, mas alerta que os dados mostram apenas parte da realidade. Para ele, o país ainda enfrenta uma situação muito mais ampla do que os números oficiais conseguem revelar.
Como denunciar
Casos de abuso ou exploração sexual contra crianças e adolescentes devem ser denunciados imediatamente. As denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, pelo 190 da Polícia Militar, diretamente à Polícia Civil ou ao Conselho Tutelar do município.
A denúncia pode salvar vidas e interromper ciclos de violência que, muitas vezes, permanecem escondidos por medo, ameaça ou silêncio dentro do próprio ambiente familiar.
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