Polícia descarta acidente e indicia marido.
Homem é indiciado por feminicídio e vicaricídio após morte de esposa e filha no Rio Paraná
Frame camera de segurança quando veiculo entra no Rio Paraná A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava a morte de uma mulher e da filha dela, de 3 anos, após um carro cair no Rio Paraná, em Porto Rico, no Noroeste do Paraná.
O marido da vítima foi indiciado pelos crimes de feminicídio e vicaricídio, quando a morte de uma criança ou adolescente é praticada como forma de atingir emocionalmente a mulher.
De acordo com a delegada Yasmin, responsável pelo caso, a investigação descartou a hipótese de acidente após uma série de diligências, análises periciais, oitivas de testemunhas e reconstrução do trajeto feito pelo veículo na noite da ocorrência.
Investigado disse que a esposa dirigia, mas polícia aponta o contrário
Em depoimento, o homem afirmou que a esposa estaria dirigindo o carro no momento em que o veículo caiu no rio e que ele estaria no banco do passageiro. No entanto, segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos no inquérito apontam outra versão. Ao todo, 23 câmeras de monitoramento foram analisadas. Apesar da baixa qualidade da maior parte das imagens, uma delas foi aprimorada e mostrou o braço de um homem na direção do veículo. As imagens também foram encaminhadas ao setor audiovisual da Polícia Científica para análise complementar.
Testemunhas afirmaram que o homem conduzia o carro - Além das imagens, quatro testemunhas ouvidas pela polícia afirmaram de forma categórica que o investigado era quem conduzia o veículo naquela noite. Uma das testemunhas relatou que viu o carro parar poucos metros depois de sair de uma residência onde o casal participava de uma confraternização. Segundo o relato, a testemunha também teria ouvido o homem xingando a esposa antes de seguir viagem. Essas informações reforçaram a linha de investigação de que o homem estava ao volante no momento da queda no rio.
Drone ajudou na reconstrução do trajeto
A Polícia Civil também utilizou tecnologia de drone para reconstituir o trajeto percorrido pelo carro antes da queda no Rio Paraná. Segundo a delegada Yasmin, a análise não encontrou indícios de que o motorista estivesse perdido ou desorientado, como alegado pelo investigado. Ainda conforme a investigação, o casal conhecia a região, já que havia passado pelo local horas antes. Os laudos periciais tiveram papel decisivo para a conclusão do inquérito. Um dos exames apontou que o veículo estava em perfeitas condições de funcionamento, incluindo o sistema de freios e o freio de mão. Outro laudo concluiu que não havia marcas de frenagem brusca, derrapagem ou colisão antes da queda no rio.
A perícia também avaliou a possibilidade de o motorista não ter tido tempo suficiente para reagir. Porém, para isso, o veículo precisaria estar acima de 144 km/h, velocidade considerada improvável para as condições da pista.
“Haja vista a ausência de marcas de frenagem na via, levantou-se a hipótese sobre a possibilidade de não ter havido espaço suficiente para reação do condutor. Entretanto, pelas circunstâncias da pista e ausência de marcas de impacto e derrapagem, não se considera provável que o veículo trafegasse em velocidade tão alta”, aponta trecho do laudo.
Mãe e filha morreram afogadas
Os exames necroscópicos apontaram que a mulher e a criança morreram por asfixia mecânica causada por afogamento. Os laudos também indicaram que não havia lesões corporais anteriores nas vítimas.
Comportamento do investigado chamou atenção
Outro ponto destacado pela investigação foi a reação do homem após o carro cair no rio.
Imagens de um flutuante próximo ao local mostram que ele conseguiu sair do veículo e nadar até a margem com habilidade. No entanto, segundo a Polícia Civil, ele demorou cerca de um minuto e meio para pedir socorro. Testemunhas que estavam no flutuante relataram que o homem só começou a gritar por ajuda ao perceber a presença de pessoas no local. De acordo com a delegada Yasmin, em nenhum momento ele tentou retornar ao veículo para salvar a esposa e a filha.
Polícia conclui que houve ação intencional
Com base nos depoimentos, nas imagens, nos laudos periciais e na reconstrução do trajeto, a Polícia Civil concluiu que houve ação intencional por parte do investigado. O inquérito foi finalizado e encaminhado ao Poder Judiciário. Agora, o caso segue para análise do Ministério Público e da Justiça. No áudio abaixo, a delegada Yasmin, dá todas as explicações deste caso terrível.
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