Ministro surpreende ao revelar diagnóstico.
Médicos entenderam que os sintomas não eram “compatíveis com hantavírus”, em passageira do Cruzeiro.
Uma passageira francesa que passou mal enquanto estava a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius foi inicialmente informada de que seus sintomas poderiam estar ligados à “ansiedade”. De acordo com o The Guardian, em publicação nesta segunda-feira (11), ela foi diagnosticada com hantavírus e agora está em estado grave.
O caso aconteceu em meio a um surto da doença registrado na embarcação. A mulher foi retirada do navio em Tenerife, na Espanha, no domingo (10), e transferida de avião para Paris. Antes da evacuação, a francesa passou por avaliação do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças e do serviço de saúde exterior espanhol.
De acordo com o ministro da Saúde da Espanha, Javier Padilla Bernáldez, os médicos entenderam, naquele primeiro momento, que os sintomas não eram “compatíveis com hantavírus”. A passageira relatou ter tido um episódio de tosse dias antes, que “desapareceu”.
Ainda conforme Bernáldez, a equipe médica avaliou que o quadro apresentado naquele momento poderia estar relacionado a estresse, ansiedade ou nervosismo. “Não é que a paciente estivesse se sentindo mal e pensasse: ‘Ok, não vou dizer nada porque quero embarcar no avião'”, salientou ele. Segundo o ministro, foi durante o voo que ela começou a se sentir mal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, atualmente, a paciente está em estado muito grave e segue isolada em Paris. 22 pessoas que tiveram contato com a francesa já foram identificadas.
O caso ocorreu em meio a outros 7 registros suspeitos associados ao navio. 3 deles já foram confirmados como hantavírus por exames laboratoriais. Até o momento, 3 passageiros morreram e outro segue internado em uma UTI na África do Sul.
Após a confirmação do surto, os demais passageiros foram retirados do navio em Tenerife, no domingo (10). Parte do grupo foi enviada a diferentes países para cumprir quarentena e passar por exames. Um passageiro alemão, um japonês e 20 britânicos foram levados ao hospital Arrowe Park, em Merseyside, na Inglaterra. Já 14 espanhóis foram encaminhados a um hospital militar em Madri, onde permanecem em isolamento.
Outras 26 pessoas foram levadas para a Holanda. Dessas, 8 são holandesas, retornaram em transporte médico e vão permanecer em isolamento por 6 semanas. Os outros 18 passageiros são da Índia, Alemanha, Argentina, Bélgica, Grécia, Portugal, Ucrânia, Guatemala, Filipinas e Montenegro.
17 norte-americanos já iniciaram o retorno aos Estados Unidos e foram encaminhados ao Centro Regional de Tratamento de Patógenos Especiais Emergentes (RESPTC), em Omaha. “Um passageiro apresenta sintomas leves no momento e outro testou positivo de forma leve, via PCR, para o vírus Andes”, informou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA.
Até esta segunda-feira (11), apenas 27 pessoas permaneciam a bordo do navio: 25 tripulantes e dois profissionais de saúde. O MV Hondius levava originalmente cerca de 150 pessoas. A embarcação partiu da Argentina em 1º de abril com destino às Ilhas Canárias, com escalas na Antártida, nas Ilhas Malvinas, na Geórgia do Sul, na ilha Nightingale, em Tristan da Cunha, Santa Helena, Ascensão e Cabo Verde.
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