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Maringá,11/05/2026

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Por que cuidar da mente também ajuda a controlar a pressão alta?

Bem-estar mental é importante tanto para a prevenção quanto para o tratamento da hipertensão

Gabriel Damasceno/Pulsar/
Por que cuidar da mente também ajuda a controlar a pressão alta? Foto: CamPen2000/peopleimages.com/Adobe Stock

Além de causar diversos impactos na qualidade de vida, problemas de saúde mental como ansiedade e depressão podem contribuir para o desenvolvimento da hipertensão. Por isso, especialistas apontam que cuidar da mente também pode ser um fator de proteção contra a pressão alta.
De acordo com Talita Lobo, coordenadora do Departamento de Psicologia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) e psicóloga hospitalar do Instituto do Coração (InCor), o estresse, a ansiedade e a depressão desencadeiam reações químicas que afetam o fluxo sanguíneo.
Ela explica que eles aumentam o cortisol e a adrenalina, ativando o sistema simpático e o mecanismo de “luta ou fuga”. Isso eleva a frequência cardíaca, leva à contração dos vasos sanguíneos e, consequentemente, causa um efeito temporário de pressão alta.
 “Ficar em sinal de alerta o tempo todo faz com que o corpo não relaxe. A liberação de cortisol e adrenalina constante sobrecarrega o sistema cardiovascular no longo prazo, o que pode causar infarto e outros problemas vasculares”, afirma.
Talita ainda ressalta que, além das alterações químicas, a saúde mental negligenciada pode levar a comportamentos nocivos, como sedentarismo e tabagismo, agravando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
“Está cada vez mais clara a relação entre as alterações na saúde mental com o aumento do risco para o desenvolvimento da hipertensão arterial”, reforça o cardiologista Luciano Drager, coordenador de ensino e pesquisa em cardiologia do Hospital Sírio-Libanês.
Ele destaca, inclusive, que diversas diretrizes já adotam a necessidade do bem-estar físico e mental tanto para a prevenção quanto para o tratamento da hipertensão.
Grupos vulneráveis
Todos os grupos podem ser afetados pela situação. Talita cita, por exemplo, que já notou níveis de estresse elevado até mesmo crianças que se cobram muito na escola. “O mundo moderno é muito rápido. Estamos expostos a muitos estímulos ao mesmo tempo. Tudo isso nos deixa ansiosos e estressados”, comenta.
Drager, no entanto, detalha que mulheres têm maior chance de sofrer o impacto das questões emocionais na pressão alta. A idade, a existência de outras doenças e a situação econômica do paciente também podem influenciar.
Estratégias
Apesar da relação entre os quadros, Talita cita que existem estratégias para modelar a resposta do sistema nervoso e frear as reações. Uma delas é a psicoterapia, que ajuda o paciente a lidar com situações estressantes e desenvolver formas de controle emocional.
Técnicas de relaxamento e meditação também são aliadas para acalmar o sistema nervoso e reduzir a liberação de cortisol e adrenalina. Talita ainda destaca que reconhecer os gatilhos do estresse, da ansiedade e da depressão é um passo fundamental. Quando o paciente aprende a identificar o que dispara as reações, consegue lidar com elas de forma mais saudável.
As mudanças de comportamento também fazem parte do tratamento. Talita aponta que hábitos como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo e má alimentação prejudicam o controle da pressão e muitas vezes são usados como válvulas de escape para o estresse.
Para Talita Lobo, o ponto central é entender que mente e corpo funcionam juntos. “Não dá para separar um do outro”, diz. “O coração sente o que a mente não processa.”








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