Fluminense sente pressão externa em derrota para o Rivadavia
Tricolor deixa o Maracanã sob vaias e gritos de 'time sem vergonha' e se complica no torneio continental
MauroPimentel/Globo Enfim, a primeira crise na era Luis Zubeldía no Fluminense. A mudança de data do Fla-Flu ainda ecoava, como podia ser visto em cartazes de torcedores no Maracanã com críticas à decisão e ao presidente Mattheus Montenegro. Uma vitória acalmaria os ânimos, e o tricolor até saiu na frente do placar. Mas a noite terminou com uma derrota de virada por 2 a 1 para o Independiente Rivadavia-ARG — que fazia sua primeira partida internacional em 113 anos de história —, e a equipe deixou o campo sob vaias e gritos de “time sem vergonha”.
Com apenas 1 ponto em dois jogos na Libertadores, o Fluminense caiu para terceiro no Grupo C e se complicou. Para piorar, tem dois jogos fora de casa nas próximas rodadas do torneio, contra Bolívar (30/4) e o próprio Rivadavia (6/5).
— Uma vergonha a derrota de hoje, na nossa casa, com nossa torcida. Temos que reagir o mais rápido possível e conseguir os próximos pontos para a Libertadores — desabafou Savarino à ESPN.
Sem vencer há três jogos até então, Zubeldía promoveu cinco mudanças no time titular, sendo uma delas forçada por conta do lesionado Lucho Acosta. No setor ofensivo, Ganso e Savarino começaram jogando juntos, enquanto Castillo ganhou a concorrência de John Kennedy. Já na defesa, Arana e Ignácio entraram nos lugares de Renê e Jemmes por opção técnica.
Os primeiros minutos do jogo pareciam dar razão a Zubeldía. Após troca de passes de Castillo e Hércules, Savarino inverteu a jogada na medida para Arana balançar as redes com uma de suas principais armas: o chute cruzado.
No embalo, o Fluminense chegou outras vezes com perigo, tanto que Canobbio teve tudo para ampliar em rebote de finalização de Savarino, mas pegou mal na bola e mandou por cima. Tímido no ataque até então, o Rivadavia conseguiu equilibrar o jogo após a pausa para hidratação.
Trapalhada coletiva
Diante da mudança de postura do adversário, o tricolor pagou caro por um problema que também se fez presente nos últimos jogos: a bola aérea. Após cobrança de falta, o argentino Freytes, que reencontrava o seu ex-clube, cabeceou para o meio da área e ainda viu Samuel Xavier ser superado facilmente por Sartori, que emendou de cabeça para empatar o confronto.
Já insatisfeita, a torcida não poupou vaias no fim do primeiro tempo. E elas só aumentaram após mais uma desatenção coletiva da equipe. Desta vez, uma trapalhada coletiva. Samuel Xavier perdeu na corrida para Villa; Fábio saiu da área no desespero e cortou mal; Canobbio, com um toque incompreensível para trás, entregou a bola para o atacante do Rivadavia. Na sequência, Fábio ainda teria feito pênalti em Villa, mas a bola sobrou para Arce, que mandou para as redes.
Já baqueado, o Fluminense foi a nocaute com o segundo gol do time argentino, que aproveitou o clima desfavorável no Maracanã para “catimbar” o jogo quando possível. Zubeldía, que já havia colocado Bernal no lugar de Hércules no intervalo, buscou reagir colocando Serna e Guga nos lugares de Ganso e Samuel Xavier, que deixaram o campo sob vaias.
Enquanto os argentinos levavam o jogo a banho-maria, o tricolor, atordoado, pouco ameaçava o goleiro Bolcato. Nem a entrada de John Kennedy para fazer dupla com Castillo — em noite abaixo do esperado — foi suficiente para ensaiar um empate. Nos minutos finais, Zubeldía ainda tentou apostar no Moleque de Xerém Wesley Natã, o que escancarou o desespero com uma derrota que pode custar a classificação do time na Libertadores.
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