Pessoas vivem mais, mas não necessariamente com saúde.
Relatório da OCDE mostra avanço das chamadas DNTs e DCNTs
Marcello Casal jr/Agência Brasil As pessoas estão vivendo mais. No entanto, esse tempo extra de vida nem sempre vem com saúde. Um novo relatório internacional mostra que a geração atual convive, cada vez mais, com várias doenças ao mesmo tempo. O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (15) pela OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
O documento aponta uma mudança silenciosa na saúde da população: cresceram as doenças não transmissíveis, as chamadas DNTs, aquelas que não passam de pessoa para pessoa. Entre elas estão problemas no coração, câncer, diabetes e doenças respiratórias.
Segundo a OCDE, essas doenças estão mais presentes do que nas gerações anteriores. Por exemplo, entre 1990 e 2023, a prevalência de doença pulmonar obstrutiva crônica aumentou 49%. A elevação de casos diagnosticados afeta a qualidade de vida das pessoas e aumenta o impacto econômico para trabalhadores, empresas e para os sistemas de saúde.
O estudo destaca também o avanço das DCNTs, as doenças crônicas não transmissíveis. Esse é um grupo específico das doenças não transmissíveis marcado pela longa duração e pela necessidade de acompanhamento contínuo.
Fatores principais
A OCDE aponta três fatores principais para esse aumento.
O primeiro é o crescimento da obesidade, que prejudicou avanços feitos na redução do tabagismo e da poluição do ar, por exemplo. O segundo é um efeito positivo da saúde pública: as pessoas sobrevivem mais e, por isso, vivem mais tempo com doenças crônicas. E o terceiro é o próprio envelhecimento da população, o que significa mais pessoas atingindo as faixas etárias em que as doenças crônicas não transmissíveis são mais comuns.
Multimorbidade
De acordo com o estudo, novos casos dessas doenças devem crescer 31% entre 2026 e 2050, apenas por causa do envelhecimento populacional. O resultado desse cenário na União Europeia, por exemplo, é um aumento de 70% na prevalência de multimorbidade. Ou seja, mais pessoas vivendo com duas, três ou mais doenças crônicas ao mesmo tempo. Segundo a pesquisa, isso pode aumentar em 50% as despesas anuais em saúde por pessoa na região.
Para os pesquisadores, investir em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado pode reduzir impactos sociais, econômicos e sobre os sistemas de saúde.
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