Atleta paranaense recebe aplicação polilaminina
A medicação está em fase de estudos e apresenta resultados promissores na recuperação de movimentos
Atleta paranaense William Kerber, de 27 anos. (Foto: Reprodução Redes Sociais/ Hospital Unimed Foz do Iguaçu) O atleta paranaense William Kerber, de 27 anos, foi um dos primeiros a receber o medicamento polilaminina, que está em fase de estudos e apresenta resultados promissores para pacientes com tetraplegia ou paraplegia.
William é morador de Palotina, no Oeste do Paraná e foi submetido ao procedimento no Hospital Unimed Foz do Iguaçu, na mesma região. Ele sofreu fraturas na coluna torácica e na medula espinhal após um grave acidente automobilístico, em 2025. As lesões fizeram com que o jovem perdesse todos os movimentos do pescoço para baixo (tetraplegia). Na época, ele era jogador profissional da equipe do Suzano Vôlei (SP). “Para mim é inexplicável, uma coisa que estava distante de nós, ouvíamos falar da medicação e hoje está se tornando realidade. Isso é gratificante demais, estou muito ansioso, é uma medicação que só vem a agregar a pessoas acamadas”.
As pesquisas experimentais com a polilaminina ganharam visibilidade após a divulgação de um estudo preliminar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), liderado pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, com oito pacientes, que relataram retornos parciais de movimentação.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no início do ano, o estudo clínico de fase 1 para avaliação de segurança do uso do medicamento para pacientes com trauma raquimedular agudo.
“Para nós foi uma coisa extraordinária, quando ouvimos falar da polilaminina, a gente achou que era uma coisa muito fora do nosso alcance, nós moramos em uma cidade muito pequena e tudo é mais difícil. A nossa expectativa é grande, temos uma grande esperança do William recuperar parte dos movimentos e melhorar a condição dele, nossa expectativa está forte”.
A cirurgia conduzida pelos neurocirurgiões Bruno Cortes, João Elias El Sarraf e o pesquisador médico Artur Luiz foi considerada um sucesso. João se encaixava nos critérios necessários e recebeu a autorização para aplicação da medicação. “Acabamos de realizar a 26º aplicação da polilaminina aqui em Foz do Iguaçu, foi um procedimento que aconteceu sem qualquer intercorrência” – afirmou o Dr. João.
O Dr. Artur conta que a expectativa é que o atleta tenha uma recuperação dos movimentos e da resposta muscular com o procedimento.
“Esse paciente que nós fizemos agora tinha uma lesão cervical, com perda motora a partir dos braços, nós esperamos que com a medicação ele tenha alguma recuperação da função dos músculos que possa melhorar a qualidade de vida dele daqui para frente”
A aplicação do medicamento em William gerou forte comoção na cidade. A Prefeitura de Palotina celebrou através das redes sociais.
“O procedimento integra estudos e técnicas modernas que buscam ampliar as possibilidades de recuperação neurológica, colocando o Paraná em destaque no cenário da medicina regenerativa. A Prefeitura de Palotina manifesta apoio ao atleta e sua família, desejando plena recuperação e reconhecendo a relevância deste marco para a saúde e a ciência”.
Como o procedimento é feito
A equipe médica que participou da aplicação feita em Foz do Iguaçu explica que a medicação é feita em dose única, em centro cirúrgico.
“Aplicada próximo a cabeça e próximo aos pés para religar as conexões que foram perdidas na lesão. Até agora todos os pacientes tiveram ganho sensitivo e/ou motor, em diferentes graus, com avanço significativo. Até o momento não tivemos nenhum tipo de complicação associada, – explicou o neurocirurgião Bruno.
Os critérios para a indicação da polilaminina no estudo são ter idade entre 18 e 72 anos e ter sofrido uma lesão traumática, com trauma medular completo. O Dr. João Elias ressaltou que o Hospital conta com toda a estrutura necessária. “Capacitado para receber os pacientes de alta complexidade. Nós estudamos os exames do paciente, unimos nossa equipe de pesquisa e definimos o melhor ponto de aplicação no centro cirúrgico. O principal objetivo é a reabilitação, enquanto for menor o tempo entre trauma e aplicação, também é esperado o melhor resultado.
A Secretaria de Saúde do Paraná afirmou que a substância está em fase de pesquisa científica e que o uso no Brasil só será liberado de forma geral após a devida comprovação de segurança e eficácia pelos órgãos reguladores.
O que é a medicação
A polilaminina é uma substância desenvolvida a partir da laminina, proteína que já existe no corpo humano e é encontrada em grande quantidade na placenta. No sistema nervoso, ela ajuda no crescimento dos axônios, que são partes dos neurônios responsáveis por transmitir os impulsos nervosos. Quando ocorre uma lesão na medula, esses axônios podem ser danificados.
De acordo com as regras da Anvisa, se todas as fases em desenvolvimento tiverem sucesso, será possível pedir o registro sanitário da polilaminina e, após a aprovação, o medicamento passa a ser comercializado.
COMENTÁRIOS