Expedição escancara abandono da transamazônica
Reprodução No último sábado (21/2), chegou a Manaus a “Expedição transamazônica”.
A caravana contou com a presença do biólogo Richard Rasmussen e do influenciador digital Renato Cariani. Ao percorrer as rodovias federais BR-230 (Transamazônica) e BR-319 (Manaus – Porto Velho), os registros da viagem, acompanhados de entrevistas, escancaram a problemática envolvendo a nossa infraestrutura de transportes, sobretudo no sudoeste do Pará e no sul do Amazonas, além de mostrar violações a direitos sociais básicos, a exemplo da precariedade do transporte rodoviário e, consequentemente, das dificuldades de acesso à saúde e à educação da população do entorno.
O rastro do descaso
Ademais, a jornada jogou luz sobre uma agenda incômoda e que serve há anos como palanque eleitoral aqui no Amazonas: o emblemático caso da repavimentação do “trecho do meio” da rodovia BR-319, a Manaus – Porto Velho, de 405 quilômetros.
A caravana expôs, em nível nacional e internacional, as entranhas do descaso político que envolve esse tema. Quando falo do descaso político, do desprezo, do oportunismo e da indiferença, refiro-me àqueles mandatários que fizeram da política uma profissão, aqui no ‘pobre’ Amazonas ‘rico’; alguns, inclusive, com mais de trinta, quarenta anos de mandatos.
Promessas e retrocessos
A “Expedição Transamazônica” serviu para mostrar, igualmente, a incompetência desses políticos profissionais, afinal, onde estavam e o que fizeram no decorrer do exercício de seus mandatos, ao longo de décadas, em defesa dessa pauta?
Por que não avançamos? Ou melhor, por que regredimos nessa agenda? Lembro-lhes que a rodovia BR-319 já foi totalmente asfaltada por ocasião da inauguração ocorrida em 27 de março de 1976, há quase 50 anos.
Crise nas rodovias estaduais
Os holofotes hoje estão sobre as rodovias federais BR-230 e BR-319. Porém, é necessário destacar que o Estado do Amazonas está imerso, literalmente, na lama, sobretudo no período de chuvas intensas, chamado de inverno amazônico, e na poeira, durante o verão.
Entra ano, sai ano, e nada muda. Continuamos na buraqueira, na lama, convivendo com atoleiros e pontes danificadas que impedem o tráfego regular de veículos, como visto na AM-364, no ramal de Manicoré (AM). Isso dificulta o escoamento da produção da agricultura familiar e o acesso a direitos básicos, como saúde e educação.
Urgência de nova gestão
Frisa-se que esse cenário vai muito além dessas duas rodovias federais.
O Amazonas não consegue, sequer, cuidar das suas rodovias estaduais e sofre de um “mal” crônico que consiste na degringolada do atual modelo de gestão rodoviária.
Como exemplos, podemos citar a precariedade das rodovias AM-454 (Codajás-Anori), AM-364 (Manicoré), AM-363 (Rodovia da Várzea), AM-329 (Envira), AM-254 (Autazes), AM-352 (Novo Airão), entre outras.
Conclusão, o nosso patrimônio rodoviário vem sendo destruído há anos pela omissão e inépcia do poder público, e não vejo disposição da classe política para discutir de forma responsável um novo modelo de gestão rodoviária, a exemplo da recriação do Departamento de Estradas de Rodagem, o DER-AM, extinto em 1995 por iniciativa do chefe do Poder Executivo estadual à época.
COMENTÁRIOS