Mensagem de cada DIA!
Nem todo mundo vai gostar de você.
Desde pequenos, desejamos ser aceitos, queridos e fazer parte de um grupo. A necessidade de pertencimento faz parte da nossa condição humana e acompanha nossas relações ao longo da vida.
Uma situação comum acontece quando a criança começa a frequentar a escola e deseja ser amiga de um colega que não demonstra o mesmo interesse. Ela insiste na aproximação, tenta participar das brincadeiras e, diante da recusa, chega em casa triste, sem compreender por que o outro não quer ser seu amigo.
Nesse momento, a maneira como os pais e a escola acolhem e conduzem essa experiência pode fazer diferença na forma como a criança aprende a lidar com a frustração e com as relações. Na tentativa de consolar o filho, alguns pais acabam desqualificando a outra criança.
Dizem que ela é chata, boba ou que não merece sua amizade.
Embora a intenção seja amenizar o sofrimento, essa atitude pode transmitir a ideia de que, quando alguém não gosta de nós, existe necessariamente algo de errado com essa pessoa.
Também pode acontecer o contrário. A criança começa a acreditar que precisa mudar seu comportamento, fazer o que o colega deseja ou aceitar brincadeiras de que não gosta para conquistar aquela amizade.
Nem todo mundo vai gostar de nós, assim como não precisamos gostar de todo mundo. Podemos respeitar alguém e reconhecer suas qualidades sem desejar construir uma amizade.
Aprender isso na infância é compreender que a ausência de afinidade não significa que exista algum problema com uma das pessoas envolvidas. Sentir tristeza por não ser escolhido é compreensível, mas esse sentimento não precisa se transformar em uma avaliação negativa sobre nós ou sobre o outro.
Na adolescência, essa questão ganha outras dimensões.
É um período de construção da identidade, de reconhecimento dos próprios valores e de busca por maior autonomia. Nessa fase, a necessidade de pertencer e ser aceito pelos colegas ganha ainda mais importância.
O desejo de fazer parte de determinado grupo, especialmente dos considerados mais populares, pode levar o adolescente a modificar sua maneira de vestir, esconder opiniões, adotar comportamentos ou participar de situações com as quais não se identifica.
O receio de ficar de fora ou perder amizades pode fazer com que ultrapasse os próprios limites para conquistar um lugar naquele grupo. É importante, porém, distinguir a falta de afinidade das situações de exclusão intencional, humilhação e bullying. Ninguém é obrigado a oferecer amizade, mas todos devem ser tratados com respeito.
Quando há intimidação ou violência entre colegas, a intervenção dos adultos é necessária.
Na vida adulta, essa dificuldade de lidar com a não aceitação também costuma aparecer. Existem pessoas que se ressentem porque um colega de trabalho não demonstra interesse em uma aproximação, porque alguém da família do companheiro não deseja construir uma amizade ou porque não são incluídas em determinados grupos sociais.
Em algumas situações, interpretam a falta de interesse como rejeição pessoal. Em outras, atribuem ao outro características negativas, como arrogância, antipatia ou falta de educação, simplesmente porque ele não corresponde à expectativa de proximidade.
A ausência de afinidade entre duas pessoas não significa que uma delas esteja errada.
Cada pessoa chega às relações trazendo sua própria história, experiências, valores e maneiras de compreender o mundo. Algumas aproximações acontecem naturalmente, enquanto outras não se desenvolvem, mesmo quando existe respeito.
O fato de alguém não gostar de nós não diminui nosso valor, assim como não transforma essa pessoa em alguém ruim.
Da mesma forma que temos o direito de escolher com quem desejamos nos relacionar, precisamos reconhecer esse direito nos outros, inclusive quando não somos a escolha deles.
Determinadas recusas podem despertar sentimentos relacionados a experiências anteriores de rejeição ou a questões emocionais ainda não compreendidas. Isso não significa que toda dificuldade de aceitação tenha origem na infância, mas compreender como aprendemos a lidar com essas situações pode ampliar nosso autoconhecimento.
Na tentativa de agradar e evitar a desaprovação, podemos esconder opiniões, aceitar compromissos indesejados e silenciar diante do que nos incomoda.
Aos poucos, nos afastamos daquilo que pensamos e sentimos para preservar a imagem que os outros têm de nós. Entretanto, entender que não precisamos agradar a todos não significa ignorar críticas ou deixar de considerar o impacto dos nossos comportamentos.
Algumas observações nos ajudam a identificar atitudes que precisam ser revistas.
Outras expressam diferenças de expectativas, valores e maneiras de compreender a vida.
Podemos ser gentis sem concordar com tudo. Respeitar alguém sem desejar sua amizade. Reconhecer nossos erros sem assumir a responsabilidade por todas as insatisfações dos outros.
Nem toda diferença exige uma mudança. Nem toda desaprovação representa uma rejeição. E nem toda rejeição significa que precisamos mudar quem somos. Aprender a conviver com essa realidade não elimina o desejo de sermos queridos, nem impede que uma recusa nos entristeça, mas nos ajuda a compreender que não podemos controlar os sentimentos e as escolhas dos outros, assim como não precisamos corresponder a todas as expectativas que depositam em nós.
Nem todo mundo vai gostar de você. E está tudo bem.
Assim como você também não precisa gostar de todo mundo.
Alessandra Aragão
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