Gilmar Ferreira
O Patriotismo sem Soberania
Tiradentes virou símbolo de resistência, virou símbolo de enfrentamento ao domínio de fora.
Por isso, ver brasileiros pedindo socorro aos Estados Unidos para interferirem no Brasil não é ato de patriotismo, é confissão de submissão.
Quem ama a pátria não pede tutela externa. Quem respeita a soberania nacional não implora que outro país venha ditar os rumos da nossa democracia.
Isso não é coragem, isso não é civismo, isso não é patriotismo; isso é dependência ideológica com fantasia de bandeira nas costas.
É preciso acabar com essa farsa. Não existe patriotismo em ajoelhar o Brasil diante de interesses estrangeiros. Não existe honra em pedir que uma potência externa resolva, na marra ou na pressão, aquilo que os brasileiros precisam enfrentar com responsabilidade, voto, debate e respeito às instituições.
Se Tiradentes pudesse olhar o Brasil de hoje, talvez fizesse uma pergunta simples e devastadora: "Como alguém pode dizer que ama essa terra enquanto pede que outro país mande nela?"
A resposta é dura: não ama. Usa a pátria como endereço, usa a bandeira como figurino, usa o discurso nacionalista apenas até o momento em que a própria vontade política contraria a realidade. Aí, larga a soberania no chão e corre para o colo de quem está lá fora.
Tiradentes não lutou para trocar uma dependência por outra. Não virou mártir da história brasileira para servir de inspiração a quem defende servidão com sotaque estrangeiro.
Neste 21 de abril, a lição é clara: patriotismo sem soberania é teatro.
E quem pede intervenção externa pode ser qualquer coisa, menos herdeiro moral de Tiradentes.
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