Crianças sem limites e as atitudes dos pais
Imagens: Getty Images Apesar de parecer apenas uma variação do clássico "mimado", o comportamento de algumas crianças pode escancarar algo mais sério: a chamada síndrome do imperador.
Embora ainda não seja classificada como um transtorno mental nos manuais de psiquiatria, ela é reconhecida por psicólogos como um padrão disfuncional crescente nas famílias.
Entre os sinais mais observados estão:
= Recusa alimentar seletiva e autoritária;
= Falta de empatia e solidariedade;
= Incapacidade de aceitar limites;
= Reclamações constantes sobre os outros;
= Desinteresse por metas ou compromissos escolares;
= Irritabilidade quando contrariada;
= Ansiedade crônica por novidades e prazeres imediatos;
= Incapacidade de compreender ou se importar com o sofrimento alheio
Tratam-se de crianças que não conhecem limites, exigem tudo, mandam em casa — e, ainda assim, vivem insatisfeitas. Mas a responsabilidade não é delas.
A raiz do problema costuma estar nas atitudes, ou na ausência delas, por parte dos adultos.

Na tentativa de compensar frustrações pessoais, muitas vezes vividas na própria infância, com pais autoritários e agressivos, alguns adultos optam por fazer o caminho inverso: não dizer "não" nunca. Com isso, a criança cresce em uma realidade onde tudo gira ao redor dela e qualquer desconforto vira uma injustiça.
Segundo os psicólogos, algumas atitudes recorrentes por parte dos pais estão diretamente ligadas à criação de crianças sem limites:
1 - Evitar qualquer tipo de "não" ou contrariedade com a intenção de evitar sofrimento;
2 - Blindar a criança de dificuldades, dores e conflitos, impedindo o amadurecimento emocional;
3 - Dar presentes, permissões ou regalias como forma de compensar ausência, separações ou traumas próprios;
4- Não estabelecer regras às crianças, que sem limites bem definidos não aprendem sobre responsabilidade;
5 - Mesmo presentes fisicamente, muitos pais não oferecem escuta, atenção ou afeto genuíno;
6 - Brigas entre os pais, agressões verbais ou físicas e descontrole emocional desestabilizam o ambiente e afetam diretamente o bem-estar da criança;
7 - Pais que não lidam com suas próprias dores e frustrações tendem a projetar isso nos filhos, criando um ciclo disfuncional
Como contornar o problema
A primeira atitude é procurar ajuda profissional.
A criança costuma ser beneficiada pela terapia cognitivo-comportamental, que a ajuda a revisar crenças e desenvolver habilidades socioemocionais.
Já os pais devem passar por orientação familiar, um processo que os empodera para exercer, de fato, o papel de autoridade responsável.
Além disso, é preciso olhar para dentro: reconhecer padrões emocionais disfuncionais e quebrar o ciclo. Agressividade entre o casal, falta de afeto, dificuldade em dialogar, negligência emocional ou comportamentos baseados no medo de repetir traumas da própria infância são sinais de alerta.
Se os pais não cuidam de suas próprias feridas, acabam transferindo angústias aos filhos — mesmo sem perceber…
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