Zeca Camargo fala sobre passar dos anos
Foto: Clayton Felizardo/BrazilNews Zeca Camargo olha para o presente e para o futuro com a serenidade de quem pode usufruir de tudo o que conquistou na trajetória de 35 anos de trabalho na TV, sobretudo no Fantástico.
Atualmente no comando do programa de turismo Passaporte, do Times Brasil, canal licenciado da CNBC, o apresentador se alegra de poder ter mais tempo para se dedicar as três grandes paixões: viagens, gastronomia e música.“Estou fazendo o que eu gosto. Não tenho mais obrigação. Todo mundo fala: ‘Mas você já vai se aposentar?’.
Tenho 62 anos! Está bom, né? São quase 40 anos de TV. Agora estou no comando do Passaporte, que é gravado e me dá um trabalho muito pequeno comparado ao Melhor da Noite, um programa diário e ao vivo que eu tinha antes na Band.
Um lado muito positivo de não estar em grade aberta é ter uma liberdade absurda. Agora posso viajar bastante. Essa liberdade estou quase não negociando mais. Só trocaria por um trabalho que valesse muito a pena”, ressalta ele, que conhece 117 países.
Recentemente, Zeca emendou Orlando, nos Estados Unidos, com Mallorca, na Espanha, e retornou ao Cariri, no Ceará, um destino que havia visitado na década de 80 como mochileiro, na época da faculdade. Logo em seguida, partiu para Paris, na França.
“Todo mundo fala: ‘Você é louco por emendar tantas viagens’. A curiosidade me move. Quero neste ano chegar a 120 países visitados”, planeja ele, que costuma celebrar a cada cinco anos seu aniversário com uma viagem com um grupo de amigos a um destino diferente, com tudo pago por ele.
“Faço essas viagens nos aniversários redondos. Com 40 anos fui para Buenos Aires, 45 para Lisboa, 50 Istambul, 55 para Bangkok e 60 para Paris. É um investimento!
Quando acaba uma viagem dessa, já abro uma poupança para o próximo destino. Geralmente levo 25 pessoas comigo. Não negocio muito o destino (risos). São cidades que gosto, que tenho prazer em apresentar para as pessoas. A gente quer ir para Bali no meu aniversário de 65 anos”, adianta ele, que depois costuma viajar sozinho para outro destino. "Sempre viajo sozinho após as viagens em grupo. Depois de Bangkok fui para Omã; após a Istambul, segui para a Islândia. É um momento de reflexão e não tenho nenhum problema em ir sozinho", diz.
Zeca não tem apenas planos de viagem.
O apresentador lança em breve o seu clube de leitura com a amiga de tempos de MTV Astrid Fontenelle. Eles vão debater um livro enquanto cozinham.
“Sou guerreiro da leitura! Sempre levo livros comigo para as viagens. Atualmente, estou terminando, Stay True, do Hua Hsu, um crítico de música da New Yorker, que descreve por meio da música a sua adolescência nas universidades americanas.
Ele fala de Nirvana, Pearl Jam, Red Hot Chili Pepper, o que é fascinante para mim, já que vivi essa época também.
Outro livro que estou lendo é o do ator Stanley Tucci, O que comi em um ano.
E outras reflexões, que vai ser um dos temas do Clube do Livro que estou fazendo com a Astrid. A gente lança os módulos em julho. Vai ter lives, conteúdo gravado.
A diferença é que a gente vai cozinhar também. Tem receita e conversa. Serão dez livros”, conta.
Zeca é daqueles que acorda cedo, se contenta em dormir apenas quatro horas por noite, e ainda arrumar ânimo para animar festas como DJ.
Recentemente, viralizou nas redes sociais por tocar em uma das festas 1999, canção do álbum Brat, da cantora Charli xcx. "Sou um homem de 62 anos que gosta de ouvir Elton John, Lady Gaga e Charli xcx.
Qual o problema nisso? Também estou ouvindo muito trap brasileiro, que é a coisa mais criativa da música brasileira. Os caras são incríveis. O pessoal vê que eu curto e fala, 'Mano, o Zeca Camargo curtiu meu álbum'. Acho incrível eu conectar com uma garotada 20 poucos anos através da música.
Uma pessoa que não me viu no Fantástico e nem na MTV, mas que talvez tenha visto pela internet as entrevistas que fiz com Renato Russo, com Kurt Cobain, Paul McCartney e Madonna e fale, 'esse cara entende de música e respeita meu ídolo'. Isso é muito bacana."
Ele também escreve em paralelo um livro e uma peça sobre a velhice.
O tema é como uma reflexão para lidar com a perda de pessoas queridas e de encerramento de ciclos. “Velhice é quando a pessoa olha para a frente. A nossa geração tem muita energia e pensa que não vai ficar velho. Mas o corpo e a cabeça vão mudar.
Estamos vendo nossos pais partirem, nos despedimos deles e não é fácil.
Estou tentando refletir sobre isso, em como fazer dessa despedida, uma coisa suave, que não seja triste. Perdi meu pai tem muitos anos. Ele morreu jovem.
Minha mãe tem 82 anos e tomo todo cuidado para dar muito conforto a ela. Viajo muito com a minha mãe também... Então, estou escrevendo sobre como a gente se prepara para ver a velhice chegar para os nossos pais com a consciência de que somos os próximos”, analisa.
Quem conversa com alguns minutos com Zeca, nota que o passar dos anos, apesar de um tema de reflexão, não o limita. Nem parece que ele já passou dos 60.
"O dilema da pessoa quando envelhece é que ela se questiona sempre se deve escolher entre o que já conhece ou tentar algo novo.
Eu também sou assim, mas a curiosidade me move. Não tem música que eu não queira ouvir, país que eu não queira visitar e livro que eu não queira ler. Sempre arranjo tempo para isso", explica.
Ele contorna os sintomas da andropausa com leveza.
"Senti os sintomas da andropausa, mas não faço tratamento e nem nada.
Tenho reservatório de energia grande. Sempre tive uma vida tão ativa. Além disso, as alterações hormonais não são exatamente como as das mulheres na menopausa.
Para mim, a andropausa é tão real quanto eu não conseguir mais correr os sete quilômetros e meio da Lagoa Rodrigo de Freitas, algo que fiz tantas vezes. Não faço mais isso. Posso fazer? Posso. Posso ter uma vida mais ativa sexual? Posso.
Mas parte do envelhecimento é você aceitar essas coisas e não se prender ao 'eu não tenho mais aquilo'", reforça.
"Vivi muita coisa legal. Não ter mais alguma coisa não significa que a vida será horrível. Tenho outros focos agora. Um deles é escrever.
Eu vivia reclamando que não tinha tempo. Até hoje não sei como escrevi 400 páginas do livro da Elza Soares enquanto trabalhava da TV Globo. Enfim, não encaro isso com melancolia. Quero ter uma vida legal. Meu sonho agora é terminar esse livro e a peça. A essa altura é sobre ter pequenos ganhos.
Eu já conquistei muita coisa, viajei muito, tenho amigos incríveis, uma família maravilhosa, uma casa em São Paulo, uma no Rio e outra em Paris, já vivi muitas coisas e agora quero celebrar. Quero que os próximos anos sejam serenos e que eu aproveite tudo o que tenho da melhor forma."
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