Néias critica oito adiamentos no caso Eduarda Shigematsu
Após condenação, observatório cobra resposta sobre demora no julgamento de Eduarda
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN O Néias – Observatório de Feminicídios de Londrina divulgou uma nota pública após a condenação de Ricardo Seidi Shigematsu, julgada pelo Tribunal do Júri de Maringá.
O pai de Eduarda Shigematsu, de 11 anos, recebeu pena de 23 anos, seis meses e 22 dias de prisão pela morte da filha, ocorrida em 2019, em Rolândia.
Na manifestação, o observatório concentrou a análise em dois pontos: a relação entre gênero, infância e autoridade familiar e a demora na conclusão do processo.
Segundo o Néias, o fato de Eduarda ser uma menina e estar na infância representava uma condição de vulnerabilidade agravada pela relação de dependência e autoridade existente entre a criança e o pai.
A entidade sustenta que essa combinação deve ser considerada na compreensão da violência sofrida pela vítima.
O observatório também chama atenção para o fato de que a legislação brasileira já prevê tratamento mais rigoroso para casos de feminicídio envolvendo vítimas menores de 14 anos, desde a Lei nº 13.104/2015.
Sete anos até o julgamento
Outro ponto destacado na nota é o tempo transcorrido entre a morte de Eduarda e a realização do júri.
O crime ocorreu em abril de 2019, enquanto o julgamento foi concluído em 17 de setembro de 2026, após oito adiamentos.
Para o Néias, a sequência de adiamentos não pode ser tratada apenas como uma questão processual, porque, na avaliação da entidade, prolongou os efeitos do caso sobre a mãe, familiares e pessoas que acompanharam a trajetória da menina.
O observatório afirma que a demora em processos dessa natureza pode afetar a confiança nas instituições e defende maior atenção à celeridade da Justiça em julgamentos relacionados à violência contra mulheres e meninas. O julgamento realizado aqui em Maringá terminou com a condenação de Ricardo Seidi Shigematsu.
Durante o interrogatório, ele confessou pela primeira vez ter matado a filha.
A avó paterna da menina, Terezinha de Jesus Guinaia, que também respondia ao processo, foi absolvida pelos jurados.
A Justiça também determinou o pagamento de R$ 90 mil em reparação mínima por danos morais à mãe de Eduarda, conforme informações divulgadas após o julgamento.
Em sua manifestação, o Observatório de Feminicídios de Londrina prestou solidariedade à família e afirmou que a resposta ao caso deve também reforçar políticas de proteção integral de meninas e enfrentamento à violência de gênero.
O observatório acompanha casos de feminicídio no Paraná e afirma atuar com foco na situação das vítimas, no acesso à Justiça e na análise da resposta do sistema judicial.
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