Proposta de delação aponta para R$ 20 bilhões.
Ex-dono da Reag diz à PGR que pode revelar R$ 20 bilhões em ativos ligados a Vorcaro
João Carlos Mansur -Reag/Arquivo/Revista Investidor A proposta de delação premiada apresentada por João Carlos Mansur, fundador e ex-controlador da Reag Investimentos, ganhou um novo componente de peso nas investigações envolvendo o Banco Master.
Mansur afirma ter condições de indicar às autoridades onde estariam cerca de R$ 20 bilhões em ativos atribuídos a Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.
O patrimônio não seria formado apenas por dinheiro. Segundo informações reveladas sobre a proposta, haveria também imóveis, direitos creditórios e outros ativos mantidos por meio de terceiros e estruturas de fundos de investimento.
Astralo aparece entre os fundos investigados
Entre as estruturas citadas está o Astralo 95, fundo que já entrou no radar das investigações relacionadas ao caso Master.
O Astralo integra um grupo de fundos administrados pela antiga Reag que foi apontado em apurações envolvendo operações financeiras relacionadas a Vorcaro.
Dados públicos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) chegaram a mostrar patrimônio bilionário no fundo, formado em grande parte por participações em outros fundos e direitos creditórios.
A investigação procura identificar quem eram os beneficiários finais de determinadas estruturas e se fundos foram utilizados para movimentar, valorizar artificialmente ou ocultar patrimônio.
Delação tem 17 anexos e mira Vorcaro

João Carlos Mansur entregou à Procuradoria-Geral da República uma proposta com 17 anexos contendo informações sobre suspeitas de crimes financeiros.
Daniel Vorcaro é apontado como um dos principais focos do material.
As negociações estão em fase de ajustes e a proposta prevê ainda, segundo informações divulgadas anteriormente, o pagamento de aproximadamente R$ 40 milhões em multas por Mansur.
O acordo, porém, ainda precisa cumprir etapas formais.
Depois da aceitação pela PGR e assinatura, a colaboração deverá passar pelo crivo do Supremo Tribunal Federal.
Pressão sobre Vorcaro
A movimentação de Mansur acontece justamente quando o próprio Daniel Vorcaro tenta abrir novamente uma porta para colaborar com as investigações.
Em depoimento à Polícia Federal na sexta-feira (28), o ex-banqueiro voltou a manifestar disposição para negociar um acordo de delação premiada. Tentativas anteriores não avançaram.
A entrada de Mansur na negociação pode tornar a situação mais delicada para Vorcaro caso o ex-dono da Reag apresente documentos, caminhos financeiros e localização de ativos que ainda não tenham sido alcançados pelos investigadores.
É justamente esse tipo de informação nova e verificável que determina o valor de uma colaboração premiada.
Por enquanto, os R$ 20 bilhões mencionados permanecem como informação oferecida por Mansur às autoridades. Caberá à PGR avaliar o material e, caso o acordo avance, aos investigadores comprovar a existência, a origem e a titularidade desses ativos.
COMENTÁRIOS