Acidente mobiliza operação especial.
Tragédia com 23 mortos na BR-373 leva Paraná a acionar protocolo internacional de identificação de vítimas
Carros para transportar corpos das 23 vítimas de acidente na BR-373 - Foto: João Frigério Uma operação especial de identificação de vítimas foi montada em Ponta Grossa depois do acidente que matou 23 pessoas na madrugada desta quarta-feira (19), na BR-373, nos Campos Gerais do Paraná.
Diante da dimensão da ocorrência, a Polícia Científica do Paraná acionou o DVI — Disaster Victim Identification, protocolo internacional utilizado para estabelecer com segurança a identidade de pessoas mortas em desastres de grande proporção.
A colisão ocorreu por volta das 3h30, no km 209 da BR-373, em Ipiranga, e envolveu um micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva e um caminhão Scania com placas de Erechim, no Rio Grande do Sul. O veículo municipal levava pacientes e acompanhantes de Imbituva para atendimento em hospitais da Grande Curitiba.
Vinte e duas vítimas estavam no micro-ônibus
Das 23 pessoas que morreram, 22 estavam no veículo da Prefeitura de Imbituva.
A outra vítima fatal era o motorista do caminhão Alex Rivail, morador da cidade de Castro (foto ao lado).
Segundo as informações consolidadas pela concessionária Via Araucária e pela PRF, entre os mortos estão 13 mulheres, oito homens e duas crianças. Outras cinco pessoas sobreviveram e foram socorridas para unidades de saúde de Ponta Grossa. Informações divulgadas ao longo da manhã indicavam que parte dos feridos apresentava quadro grave.
As identidades das vítimas fatais, porém, só deverão ser consideradas oficialmente confirmadas depois da conclusão dos procedimentos técnicos e da comunicação às famílias.
Por que foi acionado o protocolo DVI
O protocolo DVI é utilizado justamente em situações nas quais existe grande número de mortes e a identificação precisa seguir critérios técnicos padronizados.
A Interpol mantém o DVI como referência internacional para identificação de vítimas em desastres.
O método prevê organização rigorosa das informações colhidas no local, dos dados das vítimas e do material fornecido pelas famílias.
Entre os principais métodos utilizados para uma identificação conclusiva estão impressões digitais, registros odontológicos e exames de DNA. A própria Interpol ressalta que o reconhecimento apenas visual pode ser insuficiente ou inseguro em tragédias de grande impacto.
No Paraná, a operação reúne equipes técnico-científicas de Ponta Grossa, Curitiba e Guarapuava.
Corpos foram levados para Ponta Grossa
Depois da documentação e individualização no local do acidente, os corpos começaram a ser transportados para a Unidade de Execução Técnico-Científica de Ponta Grossa, anexa ao Campus Uvaranas da Universidade Estadual de Ponta Grossa.
Um comboio com seis veículos do serviço médico-legal foi utilizado na remoção das vítimas.
É nessa unidade que serão realizados os exames necessários para a identificação formal e posterior liberação às famílias. O secretário de Segurança Pública do Paraná, Hudson Leôncio Teixeira, esteve na região e orientou familiares a concentrarem a busca por informações junto à estrutura da Polícia Científica em Ponta Grossa.
Além da identificação das vítimas, a Polícia Científica realiza a perícia que deverá ajudar a reconstruir a dinâmica da colisão.
As evidências preliminares avaliadas pela Polícia Rodoviária Federal indicam que o caminhão teria cruzado para a pista contrária e atingido frontalmente o micro-ônibus.
Essa, entretanto, ainda é uma conclusão preliminar.
A investigação deverá esclarecer por que o veículo saiu de sua faixa e analisar outros elementos como condições da rodovia, veículos, velocidade e vestígios encontrados no ponto da colisão.
O caminhão seguia no sentido Carambeí–Prudentópolis, enquanto o micro-ônibus transportava os moradores de Imbituva em direção à região de Curitiba.
Acidente é o mais grave no Paraná desde 2021
Pelo número de mortes, a PRF considera a ocorrência desta quarta-feira a mais grave registrada nas rodovias federais do Paraná desde janeiro de 2021.
aquele ano, um tombamento de ônibus na BR-376, em Guaratuba, provocou 19 mortes.
Rodovia ficou interditada durante horas
O trecho do km 209 da BR-373 precisou ser completamente bloqueado para resgate, perícia e retirada dos veículos. PRF, Corpo de Bombeiros, Samu, Polícia Civil, Polícia Científica e equipes da concessionária participaram da operação. A interrupção provocou quilômetros de congestionamento nos dois sentidos.
Depois de aproximadamente sete horas de atendimento, a rodovia foi liberada novamente no fim da manhã.
Imbituva presta apoio às famílias
A tragédia atingiu diretamente Imbituva, de onde saiu o micro-ônibus.
A Prefeitura suspendeu o atendimento administrativo nesta quarta-feira e cancelou as aulas municipais, mantendo apenas os serviços essenciais. A administração também passou a prestar orientação e apoio psicológico às famílias.
O governador Ratinho Junior decretou três dias de luto oficial no Paraná e afirmou que as forças estaduais trabalham para esclarecer as circunstâncias do acidente.
O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, também divulgou manifestação de pesar.
Segundo Massuda, houve contato com a Secretaria de Estado da Saúde para colocar o Ministério da Saúde à disposição do Paraná e do município de Imbituva para o suporte necessário.
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