NSS acelera análises e reduz fila.

Por outro lado, o número de benefícios negados dispara em 2026

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NSS acelera análises e reduz fila. Imagem: Ed Alves/CB/D.A Press

O Instituto Nacional do Seguro Social conseguiu acelerar a análise de benefícios em 2026 e derrubar significativamente o tamanho da fila. Ao mesmo tempo, porém, cresceu de forma acentuada a quantidade de pedidos encerrados com resposta negativa.
Em junho, foram 938.189 benefícios indeferidos, contra 568.496 no mesmo mês do ano passado. No primeiro semestre, as negativas chegaram a aproximadamente 4,3 milhões, ante cerca de 2,5 milhões entre janeiro e junho de 2025.
No mesmo mês, foram concedidos aproximadamente 792,5 mil benefícios. No acumulado do semestre, concessões e indeferimentos ficaram próximas, mas as negativas foram ligeiramente superiores, levando a taxa de indeferimento para cerca de 50,5%.
INDEFERIMENTOS JÁ VINHAM CRESCENDO
Os números oficiais anteriores já mostravam essa aceleração. O Boletim Estatístico da Previdência Social referente a maio registra 3.381.156 pedidos indeferidos entre janeiro e maio de 2026, avanço de 71,17% sobre o mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, foram concedidos 3.446.991 benefícios, crescimento de 13,97%. Isso significa uma média mensal, até maio, de cerca de 676,2 mil negativas e 689,4 mil concessões.

FILA CAIU PARA CERCA DE 1,5 MILHÃO
Enquanto mais processos eram concluídos, o estoque pendente despencou.
A fila chegou a aproximadamente 3,1 milhões de requerimentos em fevereiro.
Em julho, já estava em torno de 1,5 milhão, segundo números apresentados pelo Ministério da Previdência ao Conselho Nacional de Previdência Social. A intenção anunciada pelo governo é continuar reduzindo esse volume nos próximos meses. O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou durante reunião do CNPS que, retirando do cálculo o fluxo normal de novos pedidos que entram mensalmente, o estoque remanescente seria de aproximadamente 374 mil processos. O tempo médio de espera estaria em torno de 48 dias.
“ZERAR A FILA” NÃO SIGNIFICA CHEGAR A ZERO
Existe uma diferença importante no conceito utilizado pelo governo.
Quando o Ministério da Previdência fala em zerar a fila, não significa acabar com todos os pedidos pendentes, já que novos requerimentos chegam diariamente ao INSS.
O objetivo é impedir a formação de um estoque de solicitações acima do prazo considerado adequado para análise, especialmente aquelas que permanecem mais de 45 dias aguardando uma decisão.
Segundo os dados apresentados pelo governo, esse grupo de processos mais antigos caiu de aproximadamente 1,882 milhão para 486 mil, redução próxima de 74%.
O QUE AJUDOU A REDUZIR O ESTOQUE
Entre as medidas utilizadas estão pagamento de bônus para ampliar a produtividade, contratação de novos peritos, realização de mutirões e mudanças na análise de benefícios por incapacidade pelo Atestmed, ferramenta que permite determinadas concessões mediante avaliação documental.
A Previdência também colocou em prática ações específicas para acelerar processos e passou a restringir a apresentação repetida de um novo pedido para o mesmo benefício enquanto ainda estiver aberto o prazo para recurso contra uma negativa anterior.
MAIS NEGATIVAS NÃO SIGNIFICAM, POR SI SÓ, ERRO DO INSS
O crescimento dos indeferimentos chama atenção, mas o dado isolado não permite concluir que as decisões estejam incorretas. Um benefício pode ser negado porque o segurado não preenche os requisitos legais, apresentou documentação insuficiente, possui inconsistências cadastrais ou não conseguiu comprovar alguma das condições exigidas.
Especialistas ouvidos pelo Correio Braziliense ponderam, entretanto, que uma elevação tão forte das negativas precisa ser acompanhada para verificar a qualidade das análises e o eventual reflexo sobre recursos administrativos e processos judiciais.
RISCO DE A FILA APENAS MUDAR DE LUGAR
Esse passa a ser um dos principais pontos de atenção. Se uma parcela relevante das negativas for posteriormente revertida, o volume retirado da fila inicial poderá reaparecer nos recursos administrativos ou no Judiciário. Especialistas em Direito Previdenciário avaliam que o impacto dependerá justamente da consistência das decisões. Negativas juridicamente bem fundamentadas tendem a ser mantidas; análises equivocadas ou incompletas podem gerar novas contestações.
SEGURADO PODE RECORRER
Quem recebe uma decisão negativa deve primeiro verificar qual foi o motivo apontado pelo INSS na carta de decisão.
Dependendo do caso, inconsistências no CNIS, períodos de contribuição não reconhecidos, documentos incompletos ou questões relacionadas a perícia e incapacidade podem ser questionados administrativamente. A estratégia adequada varia conforme cada situação, podendo envolver apresentação de documentação complementar, recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social ou, em determinados casos, discussão judicial.
TROCA NO COMANDO DO INSS
A pressão sobre o tempo de análise também chegou à direção do instituto.
Ana Cristina Viana Silveira assumiu a presidência do INSS em abril, substituindo Gilberto Waller Júnior.
O próprio portal oficial do instituto atualmente identifica Ana Cristina como presidente da autarquia.
A redução da fila tornou-se uma das prioridades da nova gestão, ao lado da recuperação da capacidade operacional do órgão e das medidas relacionadas ao atendimento dos segurados.




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