PF deve concluir primeira etapa do caso Master.

A Policia Federal prepara relatório sobre fraudes envolvendo Master e BRB, aponta apuração

Andreza Matais/Metrópoles
PF deve concluir primeira etapa do caso Master. Imagem:ArteMetropoles/

A Polícia Federal deverá apresentar ainda na primeira quinzena de agosto o relatório final do inquérito que deu origem à Operação Compliance Zero e às investigações sobre as relações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília, o BRB.
Segundo apuração publicada nesta quarta-feira (5), o documento poderá trazer os primeiros indiciamentos do caso, alcançando Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; e o empresário Nelson Tanure.
Até a publicação desta matéria, porém, a PF não havia confirmado oficialmente a conclusão do inquérito nem divulgado os nomes que constarão no relatório.
A investigação principal teria sido aberta a partir de denúncias do investidor Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital. Em depoimento ao Senado, ele afirmou ter comunicado suspeitas às autoridades desde 2019 e apontou Tanure como possível controlador oculto do Master. A defesa do empresário rejeita essa versão.
Carteiras de crédito sob suspeita
A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em 18 de novembro de 2025. O núcleo inicial da apuração envolve suspeitas de fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro, posteriormente negociadas com o BRB.
Após questionamentos do Banco Central, parte dessas carteiras teria sido substituída por outros ativos sem avaliação técnica adequada. Daniel Vorcaro foi um dos sete presos naquela etapa, mas acabou liberado dez dias depois. As investigações avançaram nos meses seguintes e deram origem a novas fases, com prisões, buscas, bloqueios de patrimônio e apurações sobre possíveis crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Vorcaro está preso desde março
Daniel Vorcaro voltou a ser preso preventivamente em 4 de março de 2026, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A medida foi requerida pela Polícia Federal diante de suspeitas de obstrução das investigações, intimidação de adversários e interferência na produção de provas. A prisão foi posteriormente mantida pela Segunda Turma do STF.
A defesa de Vorcaro nega as acusações, afirma que ele sempre colaborou com as autoridades e rejeita qualquer tentativa de obstrução.
O empresário também tentou negociar um acordo de colaboração premiada. Duas propostas apresentadas à Polícia Federal não avançaram, sendo a segunda recusada em junho.
Ex-presidente do BRB também é investigado
Paulo Henrique Costa está preso preventivamente desde 16 de abril. A investigação apura se ele receberia cerca de R$ 146,5 milhões em imóveis para favorecer operações entre o BRB e o Banco Master.
Segundo elementos citados na decisão judicial, aproximadamente R$ 74 milhões teriam sido efetivamente transferidos antes da interrupção do negócio. A defesa do ex-presidente do BRB nega que ele tenha cometido crimes. Sob a gestão de Paulo Henrique, o banco público comprou carteiras de crédito do Master posteriormente apontadas como fraudulentas e tentou adquirir parte da instituição privada. A operação acabou vetada pelo Banco Central.
Suspeita de sociedade oculta
Nelson Tanure não está preso. Ele foi alvo de busca pessoal e de outras medidas na segunda fase da Compliance Zero, realizada em 14 de janeiro. Investigadores sustentam que o empresário poderia exercer influência sobre o Master por meio de fundos e estruturas societárias, atuando como uma espécie de sócio oculto. A defesa de Tanure nega qualquer relação societária ou controle sobre o banco. Afirma que o empresário manteve apenas relações comerciais legítimas, como cliente e investidor da instituição.
O eventual indiciamento representa a conclusão da autoridade policial de que existem indícios suficientes para atribuir a uma pessoa participação em determinado crime. Ele não equivale a denúncia, julgamento ou condenação.
Depois da entrega do relatório, o Ministério Público poderá analisar as provas, pedir novas diligências, requerer o arquivamento ou apresentar denúncia à Justiça. Somente com o recebimento da denúncia o investigado passa à condição de réu.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.