Grupo cobrava até R$ 500 mil para fraudar concursos no país
Reprodução A Polícia Federal desmontou uma quadrilha especializada em fraudar concursos públicos no Brasil, com a suspeita de participação do chefe de polícia de Alagoas.
A Polícia Federal cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em Alagoas, Paraíba e Pernambuco. Os agentes prenderam dois professores suspeitos de resolver provas e fizeram buscas contra o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento.
A investigação começou com uma denúncia anônima na Paraíba. O relato levou os policiais até o ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, que passou no Concurso Nacional Unificado (CNU) para para auditor fiscal do trabalho, com salário acima de R$ 22 mil
A polícia encontrou áudios reveladores no celular da sobrinha do ex-PM. Nas conversas, o irmão de Wanderlan detalha o plano de pagar propina a vigilantes, desligar câmeras de segurança e contratar pessoas para fazer a prova no lugar dos candidatos.
A apuração aponta Thyago José de Andrade como chefe do grupo criminoso. Ele recrutava funcionários de empresas que organizam concursos pelo país e cobrava até R$ 500 mil por vagas com salários mais altos.
O chefe de polícia de Alagoas virou alvo após a delação do líder do esquema. Thyago afirmou à Polícia Federal que foi obrigado a fraudar concursos para pessoas indicadas pelo delegado Gustavo Xavier.
A mulher do delegado também tentou fraudar uma prova. Segundo a PF, Aially Xavier usou um ponto eletrônico em um exame para delegada, mas o equipamento falhou na hora.
Detalhes do esquema
A quadrilha usava diferentes métodos para garantir a aprovação dos clientes. O grupo transmitia respostas por ponto eletrônico, tirava fotos dos cadernos de questões e conseguia o gabarito antes do início das provas.
Um ex-funcionário da organizadora do concurso facilitava o acesso às provas. Waldir Luiz de Araújo Gomes, conhecido como "Mister M", trabalhava na Cesgranrio e explicava como abrir os envelopes sem deixar marcas. "O lacre é fácil demais, tanto romper e botar de novo", disse ele em áudio.
Os criminosos aceitavam até carros e viagens como pagamento. A investigação mostra que os candidatos que não podiam pagar à vista faziam acordos e parcelamentos para quitar as dívidas, que chegavam a centenas de milhares de reais.
O que dizem os envolvidos
As defesas dos familiares do ex-policial negam as acusações. Os advogados de Antônio Limeira das Neves e Larissa de Oliveira Neves afirmam que não existe denúncia formal contra eles.
O suposto líder do esquema e a namorada dizem ser inocentes. Thyago José e Laís Giselly declaram que não participam de nenhuma organização criminosa.
A fundação Cesgranrio afirma que também é vítima das fraudes. A empresa organizadora do Concurso Nacional Unificado sustenta que sofreu prejuízos com a ação do grupo criminoso.
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