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Maringá,17/06/2026

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Erro que pais amorosos cometem sem perceber

Giovanna Forcioni/CRESCER
Erro que pais amorosos cometem sem perceber O filósofo Mario Sérgio Cortella, em entrevista à CRESCER — Foto: Sabrina Ongaratto

Sabe aquela sensação de que você está sempre correndo para garantir que seu filho tenha tudo o que precisa?
Que o lanche favorito esteja na lancheira, que o brinquedo que ele viu na casa do amiguinho apareça de surpresa, que o final de semana seja repleto de atividades incríveis?
Pois é. O filósofo e educador Mario Sergio Cortella tem um recado para a gente: cuidado para não virar concierge dos próprios filhos.
Em entrevista exclusiva à CRESCER, Cortella trouxe uma reflexão que nos coloca para pensar sobre essa vontade de proporcionar bem-estar o tempo todo, quase que no piloto automático.
"Eu necessito saber qual é o universo que aquela criança convive, o que ela aprecia, o que ela recusa, o que ela teme, o que ela deseja... Para quê? Para eu atender? Não. Pai ou uma mãe não é um concierge", provoca.
A comparação é simples: o concierge é aquele profissional de hotéis que existe para atender pedidos, resolver problemas e garantir que os hóspedes tenham tudo o que desejam – do ingresso para o show esgotado até a reserva naquele restaurante impossível. É alguém cuja função é, literalmente, facilitar a vida alheia. Mas será mesmo que é isso que queremos ser para nossos filhos?
Conhecer não é o mesmo que atender
A questão aqui não é deixar de estar presente ou de conhecer profundamente nossos filhos.
Muito pelo contrário. Cortella defende que entender o que se passa no mundo deles, o que os encanta e o que os assusta, é essencial. Mas esse conhecimento precisa ser uma ferramenta para educar e não para atender automaticamente cada desejo que aparecer.
"Há famílias em que o pai e a mãe atuam como concierge, tendo que produzir o tempo todo condições de bem-estar", observa o educador.
E aí está o X da questão: como toda demanda de bem-estar é infinita (convenhamos, quem não quer o melhor sempre?), é natural que as crianças queiram mais, mais e mais. "Só uma criança tola não desejaria o tempo todo ter o melhor da condição daquilo que deseja", completa Cortella, com a sinceridade de sempre.
O equilíbrio entre mimar e impor limites
Mas calma. Antes que você se sinta culpada por ter preparado o jantar favorito do seu filho ontem, respira. Mario Sergio Cortella faz questão de deixar claro que não se trata de rigidez absoluta.
"Pais e mães, às vezes, precisam entender, pensando como educadores e educadoras, que não são concierge, mas que, vez ou outra, ser concierge pode dar prazer também".
Traduzindo: está tudo bem mimar, surpreender, facilitar a vida de vez em quando.
O problema é quando isso vira o modo padrão de funcionamento da família.
Porque aí, em vez de educarmos para a vida (que, convenhamos de novo, nem sempre entrega tudo o que a gente quer), acabamos criando uma expectativa irreal de que alguém sempre estará ali para resolver tudo.


















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