Preço fora do padrão em show de Pedro Paulo & Alex.
Avaliação foi feita pela procuradoria do munícipio para o show do Réveillon
Reprodução PP&A Um parecer da Procuradoria-Geral do Município levantou dúvidas sobre o valor que a Prefeitura de Maringá pretende pagar à dupla Pedro Paulo & Alex pelo show da virada. O documento indica que o cachê apresentado pela Secretaria de Cultura está acima do que a própria dupla costuma cobrar em outras cidades.
De acordo com a análise técnica, registros recentes de apresentações mostram valores próximos de R$ 300 mil para eventos de grande porte, enquanto referências de mercado usadas pelo setor apontam uma média ainda menor, em torno de R$ 150 mil. No processo em Maringá, porém, o valor estimado chega a R$ 420 mil.
A Procuradoria alerta que esse montante pode não refletir a realidade do mercado e, por isso, abrir espaço para questionamentos de órgãos de controle. O parecer afirma que a contratação direta só seria juridicamente segura se houvesse comprovação sólida de que os preços subiram — algo que, segundo o texto, não foi demonstrado.
Apesar do alerta, a contratação seguiu avançando na Secretaria de Cultura. O tema ganhou repercussão após reportagem exibida pela RPC, no Meio Dia Paraná, baseada em apuração divulgada inicialmente pelo Maringá Post.
Valor se aproxima de grandes nomes do país
A cifra prevista pela Prefeitura chama atenção por ser semelhante ao preço pago a artistas já consolidados nacionalmente, como Luan Santana, Maiara & Maraisa e Zé Neto & Cristiano. Para a Procuradoria, essa comparação reforça a necessidade de justificar por que a dupla — que tem projeção mais regional — estaria recebendo um valor tão elevado.
O parecer ainda resgata um episódio anterior envolvendo a mesma dupla, quando o Tribunal de Contas do Estado responsabilizou gestores e pareceres por falta de justificativa de preço em uma contratação municipal.
Entendimento jurídico
A conclusão do parecer é clara: embora seja possível contratar por inexigibilidade, o valor indicado pela Secretaria de Cultura não atende aos requisitos da Lei 14.133/2021 sobre comprovação de preço adequado. O órgão jurídico considera, portanto, que o pagamento de R$ 420 mil é inviável nos termos atuais.
A apresentação segue prevista para o dia 31 de dezembro, na Praça da Catedral.
O que diz a Prefeitura
Em nota enviada à reportagem, o município afirma que o valor da contratação está alinhado com o mercado e inclui custos de operação e logística. A Prefeitura disse ter anexado ao processo contratos recentes da dupla em outras cidades — com valores superiores aos previstos para Maringá — e sustenta que a alta demanda por artistas no Réveillon naturalmente eleva os cachês nesta época do ano.
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