Mensagem de cada DIA!
Liberdade no amor.
Confúcio advertia: viver perto dos filhos na velhice, nem sempre significa estar próximo deles.
Esta história tem mais de dois mil e quinhentos anos, mas soa como se tivesse sido escrita hoje, sobre nós, nossos pais e nossos filhos.
É uma parábola sobre um ancião chamado Li Wei, que procurou o sábio Confúcio com uma questão que preocupa muitas pessoas na velhice:
"Por que, depois de dedicar toda a vida aos filhos, acabamos ficando sozinhos?"
Li Wei foi um bom pai. Trabalhou sem descanso para que seus filhos não precisassem de nada. Privou-se de tudo para que eles vivessem bem.
Quando os filhos cresceram, formaram suas famílias e começaram a viver separados, Li Wei decidiu: era hora de viver perto deles. Ele vendeu sua casa e se mudou para a casa do filho.
Perto dos netos, da família, do calor... o que mais poderia querer na velhice?
Mas a felicidade não veio. A casa estava cheia de gente, mas o coração de Li Wei estava vazio. Durante o dia, todos estavam ocupados, à noite voltavam cansados e queriam silêncio.
O ouviam sem atenção. Seus conselhos irritavam. Sua presença era considerada algo natural. E quanto mais ele tentava se aproximar, mais era afastado.
Li Wei foi até Confúcio e abriu seu coração:
— Mestre, vivi toda a minha vida pelos meus filhos. Pensei que ao lado deles encontraria paz e amor... Mas, ao invés disso, sinto-me um estranho. Por quê?
O sábio não o consolou com palavras.
Mostrou-lhe três lições simples.
PRIMEIRA LIÇÃO: O VASO COM ÁGUA
Confúcio encheu um vaso com água até a borda.
— O que acontece se colocar mais água?
— Vai transbordar — respondeu Li Wei.
— O mesmo ocorre com os relacionamentos. Quando tentamos ocupar um espaço onde não há mais lugar, ocorre um desequilíbrio. Você construiu uma casa para seus filhos. E agora quer ser o centro dela. Mas o centro da vida deles já são seus próprios filhos, suas atividades, seu caminho.
SEGUNDA LIÇÃO: DUAS ÁRVORES
O sábio mostrou duas árvores crescendo lado a lado. Seus galhos se entrelaçavam e atrapalhavam uma à outra.
— O que acontece se as árvores crescem muito próximas?
— Elas se atrapalham — disse Li Wei.
— Elas se tornam mais fortes?
— Não. Elas enfraquecem.
— Assim é na vida. Achamos que proximidade é sempre bom. Mas proximidade excessiva gera tensão. Para crescer, é preciso espaço.
TERCEIRA LIÇÃO: UM PUNHADO DE AREIA
Confúcio pegou um punhado de areia na mão e apertou com força.
— O que acontece?
— Ela escorre entre os dedos.
— O mesmo ocorre com as pessoas. Amor e respeito não aparecem sob pressão. Quanto mais você segura, mais rápido perde. Dê liberdade e o que é verdadeiro permanecerá.
A PRINCIPAL COMPREENSÃO
— Quando você planta uma árvore, espera que ela necessariamente lhe dê sombra? — perguntou o sábio.
— Não. Eu a planto para que cresça.
— Então por que esperava algo diferente dos filhos? Você os criou não para você, mas para o mundo. E o mundo tem tanto direito sobre eles quanto você.
Li Wei silenciosamente entendeu seu erro.
Confúcio deu-lhe um punhado de sementes:
— Plante. Ensine. Aprenda você também. A velhice não é tempo de esperar. É tempo de descobrir o novo. Não exija amor dos filhos. Comece a viver o que você ama.
Li Wei voltou para sua cidade, mas não para a casa do filho. Ele se estabeleceu perto de uma escola e começou a ajudar as crianças. Ensinava, contava histórias, plantava árvores com elas.
Logo começaram a chamá-lo de mestre Li.
Quanto menos ele se impunha, mais era valorizado. Quanto menos exigia atenção, mais sinceramente a recebia.
QUANDO O AMOR RETORNA
Um dia, ele recebeu uma carta do filho:
"Papai, faz tempo que não nos vemos. Sentimos sua falta. Os netos perguntam por você. Venha nos visitar."
E quando Li Wei chegou, foi recebido com carinho.
Pela primeira vez em muitos anos, sentiu-se não como um fardo, mas como um convidado desejado. E então ele entendeu: quando parou de exigir amor, ele voltou por si só.
"Viver perto dos filhos não significa estar verdadeiramente próximo."
Não se trata de solidão. Trata-se de liberdade no amor.
— Quando exigimos atenção, sufocamos. — Quando nos impomos, nos tornamos invisíveis. — Quando deixamos ir, somos escolhidos.
Como dizia Confúcio: "Amor e respeito não podem ser exigidos. Só podem ser cultivados."
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