Justiça condena homem que matou motociclista após discussão

Caso ocorreu após uma discussão de trânsito em Itanhaém (SP).

Por Ágata Luz, g1
 Justiça condena homem que matou motociclista após discussão Silvio perseguindo o motociclista — Foto: Reprodução/TJ-SP

A Justiça condenou Silvio Luiz Dessordi a 10 anos e 6 meses de prisão por homicídio doloso após ele perseguir e bater com o carro na motocicleta de Pedro Eneas de Almeida Siqueira, em Itanhaém, no litoral de São Paulo. A defesa informou que recorreu da decisão.
O caso ocorreu em fevereiro de 2023, após uma discussão de trânsito, e foi registrado por uma câmera de monitoramento.
Silvio tentou vender o carro envolvido no acidente  em Itanhaém (SP) — Foto: Reprodução/TJ-SPMeses depois, Silvio divulgou a venda do carro nas redes sociais, com a descrição:
“blindagem nível A3, só acelerar e esmagar o elemento”.
Para a 1ª Vara da Comarca de Itanhaém, a ação do réu, seguida da publicação nas redes sociais, demonstrou a intenção e disposição agressiva dele.
 Silvio foi condenado a cumprir a pena por homicídio doloso em regime inicialmente fechado.
“O acusado utilizou um veículo utilitário esportivo (SUV) de grande porte e dotado de blindagem especial como verdadeiro instrumento de ataque letal contra a vítima Pedro Eneas de Almeida Siqueira, que transitava indefesa em uma motocicleta”, afirmou o juiz Paulo Alexandre Rodrigues Coutinho, em decisão publicada na última semana.
O caso ocorreu no dia 8 de fevereiro de 2023.
Nas imagens do sistema de monitoramento, é possível ver o carro de Silvio perseguindo a motocicleta.
Após a colisão que derrubou o motociclista, Silvio fugiu sem prestar socorro.
Segundo o processo, testemunhas relataram às autoridades que ajudaram Pedro a se levantar.
No entanto, a vítima de 56 anos recusou atendimento médico e foi para casa.
Na residência, porém, Pedro reclamou de dores nas costas e tomou um anti-inflamatório.
Momentos depois, o quadro dele piorou.
O pai da vítima acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou a morte do homem ainda no local.
A necropsia de Pedro apontou a causa da morte como hemorragia aguda em decorrência dos ferimentos.
Carro perseguiu e bateu em motociclista em Itanhaém (SP) — Foto: ReproduçãoVersão do motorista
Em depoimento à polícia, Silvio alegou que discutiu com Pedro após ele atingir a porta do carro em uma ultrapassagem.
Ainda segundo o relato, o motociclista chegou a quebrar o retrovisor do automóvel durante a discussão.
O motorista disse também que subiu com o carro no guardrail de uma via após ser fechado por Pedro.
Ele relatou que percebeu um problema no câmbio do veículo e seguiu o motociclista para que arcasse com os prejuízos.
Silvio acrescentou que, durante a perseguição, foi alvo de ofensas e gestos obscenos por parte de Pedro.
O motorista afirmou também que o motociclista fez um movimento como se fosse pegar uma arma debaixo da blusa e, para se defender, abaixou a cabeça dentro do carro e acelerou.
O réu afirmou, ainda, que não notou o barulho da batida e que só soube da morte de Pedro quando foi intimado pelo investigador da polícia, pois não imaginava que havia atingido o motociclista e pensava que havia apenas escapado de um tiro.
Advogados das partes
O advogado Isael Valdes Moscarde, que representa o réu, informou que entrou com pedido de embargos de declaração por conta de “inconsistências na sentença”.
De acordo com ele, o juiz indeferiu o testemunho de uma pessoa e o julgamento foi contrário às provas apresentadas.
"Acreditamos na Justiça e esperamos que esse julgamento seja anulado e outro seja feito para que, novamente, possamos mostrar a inocência de nosso cliente, que, no caso, seria a vítima de uma tentativa de disparo de arma de fogo", afirmou.

Os advogados Diego Renoldi Quaresma e Alexandre Massarelli, que atuaram como assistentes da acusação representando o pai da vítima, que tem 86 anos, celebraram o resultado.
"A decisão dos jurados representa uma resposta contundente do sistema de justiça", afirmaram os advogados, por meio de nota.
De acordo com eles, a justiça foi feita porque a condenação "diminui a sensação de impunidade".
Ainda segundo os advogados da família, nenhuma testemunha e nem os registros do atropelamento mostram Pedro armado ou reagindo de alguma maneira.
"A tese da arma é mentira da defesa e não foi provada em momento nenhum do processo", complementou Diego Renoldi.





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