A fraude na aprovação do curso de Medicina
Um dos maiores escândalos educacionais da história recente do Paraná.
Reprodução A Polícia Civil do Paraná detalhou os contornos de um esquema de fraude no programa Aprova Paraná Universidades que permitiu a aprovação irregular de pelo menos cinco estudantes no curso de Medicina.
O epicentro da investigação é o Colégio Estadual Santana, em Tapejara, onde os suspeitos realizaram a prova na mesma sala de aula.
A investigação começou após a Secretaria de Educação (SEED) identificar uma "impossibilidade estatística": em uma escola com IDEB 4,5, a chance de cinco alunos de uma mesma sala passarem em Medicina era inferior a 1%.
O uso da Teoria de Resposta ao Item (TRI) — o mesmo método do Enem — confirmou que o padrão de respostas dos alunos era inconsistente com o histórico escolar deles, que apresentavam desempenho "básico" ou "abaixo do básico" antes do exame.
As Provas da Fraude
Uso de Celulares: Em depoimento, os próprios estudantes confessaram o uso de aparelhos para obter respostas em tempo real.
Discrepância nas Notas: Os investigados obtiveram notas altíssimas na prova objetiva, mas desempenhos medíocres na redação (entre 560 e 620 pontos), enquanto alunos regulares aprovados mantiveram médias de 840 pontos.
Conivência Interna: Uma fiscal de sala é investigada por suposta facilitação ou omissão, podendo responder por fraude em certame público e corrupção de menores.
Desdobramentos e Punições
A operação cumpriu mandados em Londrina, Maringá, Tapejara e Ponta Grossa.
As universidades estaduais (UEM, UEL e UEPG) já se manifestaram e afirmaram que, caso a fraude seja comprovada, as matrículas serão anuladas.
Dos sete investigados (incluindo dois de outros cursos), apenas um é maior de idade e responderá criminalmente; os demais responderão por ato infracional análogo à fraude.
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