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Maringá,04/04/2026

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Ex-assessora relata ameaças após denúncia.

Investigação aponta repasses obrigatórios de salários a empresário;

TarobaNews/
Ex-assessora relata ameaças após denúncia. Reprodução Taroba

Novos desdobramentos de uma investigação conduzida pelo Ministério Público (MP) trazem detalhes sobre um suposto esquema de "rachadinha" na Câmara Municipal de Londrina. Em depoimento, uma ex-assessora parlamentar filha do empresário apontado como o beneficiário dos repasses — afirmou ter sido coagida a entregar parte de seus vencimentos e relatou estar sofrendo ameaças após decidir colaborar com a justiça.
A jovem relatou que a exigência dos repasses surgiu cerca de um mês após sua nomeação, em março do ano passado. Segundo ela, ao questionar a legalidade e a duração dos pagamentos, foi confrontada com a possibilidade de demissão. "O meu pai falou: 'mas você não quer mais o emprego?'", afirmou.
Agora, com o avanço do caso, a ex-assessora declarou temer represálias. "Tenho muito medo do que pode acontecer", desabafou ao mencionar a pressão sofrida para silenciar sobre o esquema.

Áudios e provas do esquema
A investigação conta com áudios em que o empresário detalha a dinâmica financeira do grupo.
Nas gravações, ele afirma receber mensalmente R$ 6.000,00, valor que seria composto por R$ 3.000,00 retirados do salário do vereador e outros R$ 3.000,00 divididos entre três assessores da estrutura parlamentar. "Não importa quem seja o assessor, eu tenho que pegar R$ 6.000,00. Meu salário é esse", diz o investigado em um dos trechos.
A ex-assessora entregou comprovantes de transferências bancárias ao Ministério Público.
A suspeita dos promotores é que cada servidor comissionado envolvido fosse obrigado a repassar aproximadamente R$ 1.000,00 mensais ao empresário para garantir a permanência nos cargos.
Defesa e versões conflitantes
Em oitiva oficial, o empresário negou a prática de "rachadinha".
Ele alegou que o conteúdo dos áudios foi inventado em um momento de "desespero" para tentar demover a filha de supostas intenções de autoextermínio, questionando a saúde mental da denunciante. A defesa sustenta ainda que os valores depositados seriam referentes à quitação de veículos negociados entre ambos.
A ex-assessora rebateu as afirmações, classificando-as como infundadas e uma tentativa de descredibilizá-la. Ela reforçou que os automóveis foram apresentados como presentes e que a relação entre os dois sempre foi estritamente profissional no âmbito da Câmara. "Minha expectativa é que seja provado que não sou louca, como eles estão querendo apontar, porque é tudo verdade", declarou.
Andamento judicial
O Ministério Público mantém a investigação sob sigilo para apurar os crimes de peculato, concussão e improbidade administrativa. O vereador mencionado nas gravações ainda não emitiu posicionamento oficial sobre as acusações de que parte de seu próprio salário também compunha o montante repassado ao empresário.




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