Presidente da Câmara usa tribuna para humilhar
Além de humilhar, o presidente do legislativo destrata servidor com termos discriminatórios
Rafael Poli/Reprodução Youtube A última sessão na Câmara Municipal de Marialva não será lembrada pelos projetos aprovados, mas pelo deplorável espetáculo de desumanização protagonizado pelo seu presidente, Rafael Poli.
Durante o grande expediente, o que deveria ser um momento de debate democrático foi transformado em um palco de ofensas pessoais e injúrias dirigidas a um servidor público.
Sem citar nomes, mas com descrições deliberadamente depreciativas, Rafael Poli referiu-se a um trabalhador da estrutura municipal como “careca”, “sujo” e, em um ato de extrema crueldade verbal, “leproso”. O uso desta última expressão não é um deslize retórico; é o resgate de um estigma histórico de exclusão e preconceito para humilhar um cidadão no exercício de sua função.
O episódio atual não é um caso isolado na gestão de Rafael Poli. Há poucos meses, o parlamentar já havia utilizado o termo pejorativo “baianagem” para criticar uma obra pública, associando uma suposta má qualidade a uma origem regional. Naquela ocasião, a ausência de consequências parece ter servido de salvo-conduto para que o nível do debate descesse mais alguns degraus.
O cargo de presidente do Legislativo exige decoro, equilíbrio e respeito às instituições.
Quando a tribuna é utilizada para reforçar estigmas e atacar a dignidade humana, a política perde sua função social e Marialva perde a oportunidade de ser representada com a seriedade que merece.
A pergunta que fica para o plenário e para a população é: até quando o desrespeito será normalizado?
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