Seja bem-vindo
Maringá,04/04/2026

  • A +
  • A -

Concessão do Parque do Ingá é questionada

Instituto questiona modelo de concessão do Parque do Ingá

JornaldoPovo/PortalEdsonValerio
  Concessão do Parque do Ingá é questionada Rafael Macri/PMM

O modelo de concessão proposto para o Parque do Ingá passou a ser alvo de questionamentos técnicos.
O Instituto BiodiverCidade, organização da sociedade civil voltada à proteção da biodiversidade e à justiça socioambiental, divulgou parecer técnico-jurídico apontando possíveis vícios de legalidade e risco de retrocesso ambiental no processo. Segundo o instituto, o plano priorizaria a exploração comercial em detrimento da função primordial da unidade de conservação. O documento sustenta que o modelo configuraria desvio de finalidade e afrontaria normas federais, estaduais e municipais que regem áreas protegidas.
Entre os principais pontos levantados estão:



  • incompatibilidade com o Plano de Manejo de 2020, que restringe atividades como arvorismo, tirolesa e pedalinhos em razão da fragilidade ecológica do parque;




  • prazo considerado excessivo da concessão, fixado em 30 anos;




  • possível transferência indevida de responsabilidades ambientais à concessionária;




  • impactos potenciais à fauna local com aumento do fluxo de visitantes, sem previsão detalhada de manejo de animais silvestres;




  • previsão de liberdade empresarial que, segundo o instituto, violaria o regime jurídico das unidades de conservação, que exige vinculação estrita ao Plano de Manejo.



O parecer conclui que o modelo, da forma como apresentado, colocaria em risco a preservação ambiental da área, classificada como Unidade de Conservação Municipal de Proteção Integral, integrante do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e inserida no bioma Mata Atlântica. 
Como encaminhamento, o Instituto BiodiverCidade recomenda a suspensão do certame licitatório, revisão integral do projeto, adequação rigorosa ao Plano de Manejo, redução do prazo contratual para cinco anos e fortalecimento do controle público ambiental.
Um representante da entidade informou que ainda não houve retorno formal da administração municipal sobre o parecer, mas afirmou que o instituto não se opõe à concessão em si — desde que o modelo esteja plenamente alinhado às diretrizes ambientais vigentes.
Prefeitura defende modelo
Por outro lado, a Prefeitura de Maringá sustenta que a concessão não representa privatização do parque. De acordo com a administração, a empresa vencedora da licitação será responsável apenas por serviços de apoio à visitação, como manutenção, limpeza, segurança e turismo ambiental, mantendo a entrada gratuita e a gestão ambiental sob responsabilidade do município.
A concessionária poderá explorar atividades nas áreas de lazer, alimentação, comércio, educação e eventos, incluindo propostas como arvorismo, tirolesa, trenzinho turístico, decks de contemplação e instalação de um café junto à locomotiva histórica.
O Instituto Ambiental de Maringá (IAM) informou que o processo de consulta pública ocorreu com transparência e dentro da legalidade, permanecendo aberto por 20 dias, até 10 de fevereiro. Segundo o órgão, todas as contribuições recebidas — inclusive do Instituto BiodiverCidade — foram analisadas tecnicamente, com respostas individualizadas.
O tema também foi debatido no Conselho Consultivo das Unidades de Conservação e no Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema). Conforme o IAM, os conselheiros presentes manifestaram-se favoravelmente à continuidade do processo. O instituto ambiental ressaltou ainda que a concessão respeita o Plano de Manejo e segue os parâmetros legais aplicáveis.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.