Concessão do Parque do Ingá é questionada
Instituto questiona modelo de concessão do Parque do Ingá
Rafael Macri/PMM Entre os principais pontos levantados estão:
incompatibilidade com o Plano de Manejo de 2020, que restringe atividades como arvorismo, tirolesa e pedalinhos em razão da fragilidade ecológica do parque;
prazo considerado excessivo da concessão, fixado em 30 anos;
possível transferência indevida de responsabilidades ambientais à concessionária;
impactos potenciais à fauna local com aumento do fluxo de visitantes, sem previsão detalhada de manejo de animais silvestres;
previsão de liberdade empresarial que, segundo o instituto, violaria o regime jurídico das unidades de conservação, que exige vinculação estrita ao Plano de Manejo.
O parecer conclui que o modelo, da forma como apresentado, colocaria em risco a preservação ambiental da área, classificada como Unidade de Conservação Municipal de Proteção Integral, integrante do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e inserida no bioma Mata Atlântica.
Como encaminhamento, o Instituto BiodiverCidade recomenda a suspensão do certame licitatório, revisão integral do projeto, adequação rigorosa ao Plano de Manejo, redução do prazo contratual para cinco anos e fortalecimento do controle público ambiental.
Um representante da entidade informou que ainda não houve retorno formal da administração municipal sobre o parecer, mas afirmou que o instituto não se opõe à concessão em si — desde que o modelo esteja plenamente alinhado às diretrizes ambientais vigentes.
Prefeitura defende modelo
Por outro lado, a Prefeitura de Maringá sustenta que a concessão não representa privatização do parque. De acordo com a administração, a empresa vencedora da licitação será responsável apenas por serviços de apoio à visitação, como manutenção, limpeza, segurança e turismo ambiental, mantendo a entrada gratuita e a gestão ambiental sob responsabilidade do município.
A concessionária poderá explorar atividades nas áreas de lazer, alimentação, comércio, educação e eventos, incluindo propostas como arvorismo, tirolesa, trenzinho turístico, decks de contemplação e instalação de um café junto à locomotiva histórica.
O Instituto Ambiental de Maringá (IAM) informou que o processo de consulta pública ocorreu com transparência e dentro da legalidade, permanecendo aberto por 20 dias, até 10 de fevereiro. Segundo o órgão, todas as contribuições recebidas — inclusive do Instituto BiodiverCidade — foram analisadas tecnicamente, com respostas individualizadas.
O tema também foi debatido no Conselho Consultivo das Unidades de Conservação e no Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema). Conforme o IAM, os conselheiros presentes manifestaram-se favoravelmente à continuidade do processo. O instituto ambiental ressaltou ainda que a concessão respeita o Plano de Manejo e segue os parâmetros legais aplicáveis.
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