Reprodução A história das concessões rodoviárias no Paraná é um emaranhado de discursos políticos que raramente se traduzem em tarifas baixas ou estradas impecáveis para o usuário.
Desde a famosa frase "o pedágio abaixa ou acaba", proferida por Roberto Requião em 2002, até as atuais modelagens do governo Ratinho Júnior, o paranaense assiste a um ciclo de promessas que esbarram em contratos nebulosos e falta de fiscalização.
De acordo com o também apurado no âmbito da Operação Lava Jato, conforme divulgado em março de 2014, investigação do MPF (Ministério Público Federal) apontava que os contratos de concessão de rodovias federais no Paraná foram alterados de forma unilateral pelo governo do Estado, sem publicação em Diário Oficial ou comunicação ao governo federal. A maioria dos “atos secretos”, como se refere o relatório do MPF, serviu para modificar as obrigações das concessionárias.
Mudanças unilaterais nos contratos, sem publicação oficial, permitiram que concessionárias deixassem de realizar obras de expansão e manutenção em troca de serviços de menor impacto, enquanto as tarifas continuavam subindo. A conivência de órgãos de fiscalização e o pagamento de propinas a agentes do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) consolidaram um cenário de prejuízo bilionário ao Estado.
Investimento Público, Lucro Privado
Um ponto de crítica recorrente é a estratégia de investir dinheiro público em pavimentação — como o anúncio de R$ 1,5 bilhão em obras feito em abril de 2025 — para, logo em seguida, entregar esses trechos à iniciativa privada. Na prática, o cidadão financia a construção com seus impostos e depois paga a tarifa para utilizar a mesma via.
A Solução Esquecida - Enquanto as novas concessões adicionam mais 12 praças às 27 já existentes, especialistas e críticos sugerem uma alternativa prática: o investimento em estradas municipais e vias rurais que sirvam como rotas alternativas às praças de cobrança. No entanto, o que se vê é a manutenção de um modelo que prioriza as grandes concessões em detrimento de alternativas que dariam liberdade de escolha ao motorista.
COMENTÁRIOS