Gilmar Ferreira
Dioney x Fatos
Programas sociais de primeiro mundo representam a base da estabilidade econômica em nações desenvolvidas, apesar de discursos que associam assistência social à incompetência de gestão.
Recentemente, um vídeo do Subtenente Dioney, que foi candidato a vereador em Maringá, circulou nas redes sociais criticando uma eleitora que defendia o Bolsa Família. Dioney rotula o Brasil como um “país falido” por manter o benefício. No entanto, os dados globais revelam que os investimentos em assistência social são, na verdade, uma marca de países ricos e organizados.
A falha técnica no discurso do Subtenente Dionei
O Subtenente Dioney utiliza uma linguagem que desqualifica a capacidade intelectual do eleitor dependente de auxílios governamentais. Ele afirma que o perfil do brasileiro que recebe benefícios é de alguém “desconectado” ou que “não pensa”. Entretanto, o comentarista ignora que a transferência de renda é uma ferramenta técnica de estímulo ao consumo e redução de desigualdades extremas.
Do ponto de vista jurídico e social, a crítica do militar carece de fundamentação técnica.
Ao classificar o auxílio como “bolsa miséria”, o discurso negligencia os índices de retorno econômico do programa. Cada Real investido no Bolsa Família gera um impacto positivo no Produto Interno Bruto (PIB), pois o dinheiro circula imediatamente no comércio local, fortalecendo a economia de base.
Onde o “Bolsa Família” existe no primeiro mundo?
Diferente do que sugere a narrativa de “país falido”, as maiores potências econômicas do planeta possuem sistemas de proteção social muito mais robustos e caros que o brasileiro.
Estados Unidos: O país mais capitalista do mundo mantém o SNAP (Programa de Assistência Nutricional Suplementar). Este programa atende cerca de 40 milhões de americanos. Em 2025, o investimento americano superou os US$ 100 bilhões para garantir que cidadãos de baixa renda comprem alimentos.
Alemanha: O governo alemão garante o Bürgergeld (Renda do Cidadão), que provê uma renda mínima para desempregados e pessoas de baixa renda. O valor cobre moradia e custos básicos, sendo proporcionalmente superior ao benefício brasileiro.
França: O RSA (Renda de Solidariedade Ativa) assegura um nível mínimo de recursos para pessoas sem renda, incentivando a reintegração profissional.
Reino Unido: O sistema de Universal Credit unifica diversos auxílios para garantir que nenhum cidadão fique abaixo da linha da pobreza extrema.
A eficiência econômica da assistência social
A ciência econômica moderna, defendida por órgãos como o Banco Mundial e o FMI, comprova que a assistência social não é um “sustento eterno” por incompetência, mas um investimento em capital humano. Quando um governo garante a alimentação e a escola de uma criança hoje, ele reduz os gastos futuros com segurança pública e saúde.
Portanto, a visão do Subtenente Dioney reflete um senso comum que não encontra eco nas práticas das nações que o Brasil costuma usar como exemplo de sucesso. Os programas sociais de primeiro mundo mostram que a verdadeira incompetência de um Estado é permitir que sua população passe fome enquanto a economia tenta crescer.
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