Pais cada menos presentes na criação de filhos.

Brasileiro consolidou ideia de que o bom pai é o presente no dia a dia

NEXUS PESQUISA/PortalEdsonValerio
Pais cada menos presentes na criação de filhos. Arquivo Agência Brasil

 O conceito de um bom pai está mudando para os brasileiros.

Mais do que sustentar financeiramente a família, estar presente na rotina dos filhos tornou-se a principal característica associada à boa paternidade. Pesquisa do Instituto Nexus mostra que 49% dos entrevistados apontam a presença no dia a dia como o atributo mais importante de um pai.
Na outra ponta, apenas 3% escolheram oferecer segurança financeira como principal característica.
A percepção mostra uma mudança importante na forma como a sociedade enxerga a paternidade: o papel do pai aparece cada vez menos restrito à figura do provedor e mais ligado ao convívio, educação, cuidado e participação cotidiana.
O levantamento revela um contraste. Para 76% dos brasileiros, a importância dos pais homens na criação dos filhos é alta ou muito alta.  Apesar desse reconhecimento, 50% acreditam que os pais atuais participam menos dos cuidados cotidianos do que os das gerações anteriores.
É justamente nessa diferença entre o que se espera e o que se percebe na prática que aparece um dos principais resultados da pesquisa.
Na avaliação de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, o conceito de paternidade mais presente já está consolidado, mas a mudança de comportamento ainda não avançou no mesmo ritmo.
MULHERES SÃO MAIS CRÍTICAS
A avaliação muda de forma significativa quando homens e mulheres são ouvidos separadamente.
Entre as mulheres, 56% consideram que os pais de hoje participam menos da criação dos filhos.
Outras 31% entendem que a participação aumentou.
Entre os homens, há uma divisão exata:
44% acreditam que os pais estão mais presentes hoje;
44% consideram que estão menos presentes.
As mulheres também dão mais peso à convivência cotidiana na definição de uma boa paternidade.
Para 53% delas, ser presente no dia a dia é o principal atributo de um bom pai. Entre os homens, são 45%.
Dia dos Pais: a influência da presença paterna na formação dos filhos - UniNorte Manaus
JOVENS VALORIZAM MAIS O PAPEL DO PAI
A importância atribuída à paternidade também muda conforme a idade.
Entre brasileiros de 16 a 24 anos, 82% classificam como alta ou muito alta a importância do pai na criação.
Entre pessoas com 60 anos ou mais, esse índice cai para 62%.
A diferença aparece também naquilo que cada geração considera fundamental.
A presença cotidiana é a principal característica para:
• 56% das pessoas de 25 a 40 anos;
• 55% dos jovens de 16 a 24 anos.
Já entre os mais velhos, cresce a importância atribuída à função de educar e estabelecer limites.
O QUE É SER UM BOM PAI?
Quando os entrevistados tiveram de apontar a principal característica, o resultado ficou assim:
49% — estar presente no dia a dia
19% — educar e orientar com limites
8% — demonstrar carinho e afeto
7% — dar exemplo
3% — oferecer segurança financeira
O resultado coloca o tempo e a participação direta na vida dos filhos muito acima da capacidade financeira como definição central da paternidade.
A influência do comportamento dos pais na vida dos filhos
HOMENS DESTACAM MAIS EDUCAÇÃO E LIMITES
Embora homens e mulheres concordem que a presença é o principal atributo, existem diferenças nas prioridades seguintes.
Entre os homens, 21% apontam educar e orientar com limites como principal característica.
Entre as mulheres, são 17%.
Já a presença cotidiana recebe avaliação maior entre elas, reforçando a percepção feminina de que ainda existe uma distância entre a participação paterna considerada ideal e aquela observada dentro das famílias.
RENDA E ESCOLARIDADE INFLUENCIAM
A percepção sobre a importância da paternidade varia ainda conforme condições socioeconômicas.
Entre pessoas com renda familiar entre dois e cinco salários mínimos, 81% consideram alta ou muito alta a importância do pai.
Entre aqueles que recebem até um salário mínimo, o índice cai para 64%.
Na escolaridade, 81% das pessoas com Ensino Médio e 80% das que possuem Ensino Superior completo atribuem grande importância à figura paterna.
Entre entrevistados com apenas Ensino Fundamental, são 68%.
NORDESTE TEM MAIOR PERCEPÇÃO DE AUSÊNCIA
Regionalmente, o Nordeste aparece entre os grupos que mais enxergam redução da participação paterna.
Na região, 56% acreditam que os pais atuais estão menos presentes.
O mesmo percentual aparece entre pessoas com renda familiar de até um salário mínimo.
Entre a população negra, 51% enxergam menor participação dos pais atualmente, diante de 47% entre os entrevistados brancos.
PRESENÇA PASSA A SER A PRINCIPAL MEDIDA
A pesquisa sugere que a cobrança sobre a paternidade mudou. O pai que apenas garante as despesas já não corresponde, para boa parte da população, ao modelo considerado ideal.
Participar de atividades, conversar, acompanhar a escola, dividir responsabilidades, orientar e estar disponível no cotidiano passaram a ocupar posição central.
Na avaliação da Nexus, o desafio agora está em aproximar essa expectativa social da realidade observada dentro das famílias.
O levantamento ouviu 2.013 pessoas presencialmente em diferentes regiões do Brasil, entre 18 e 24 de julho de 2026. A amostra representa a população brasileira com 16 anos ou mais e foi estratificada por sexo, idade, renda, escolaridade, religião e região do país.




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