Acusado de dopar, estuprar e espancar jovem é preso
Victor ao lado do pai em vídeo publicado nas redes sociais Imagem: Reprodução Victor Bruno da Silva, acusado de estuprar, espancar e tentar matar a jovem Maria Daniela Ferreira, se apresentou a Policia Civil sexta-feira (10), em Taquarana, em Alagoas. A prisão ocorreu quase um ano e sete meses após o crime.
O que aconteceu
Victor se entregou a policia de forma voluntaria. Segundo a defesa, ele se apresentou "a fim de ser ouvido em audiência perante o Poder Judiciário". Em nota, os advogados do acusado também afirmam que "apresentação espontânea é ato de confiança na Justiça" (veja nota completa abaixo).
A advogada de Maria Daniela afirmou que a prisão representa apenas uma etapa do caso.
Em publicação nas redes sociais, Julia Nunes disse que "a luta continua" e cobrou a identificação de outros suspeitos.
"Nós iniciamos uma pequena vitória, porque a luta ainda permanece. [ ... ] Maria Daniela foi clara ao dizer que existiam outros homens no local, que ate hoje não foram identificados", declarou.
Defesa da vítima pedirá proteção para a família. Segundo Nunes, a vítima e seus familiares vivem sob medo desde o crime. A advogada afirmou que solicitara ao MP (Ministério Publico) a inclusão deles no programa de proteção a testemunhas.
" A família da Maria Daniela não dorme por medo. Ainda existem muitas pessoas que não foram desmascaradas. Entraremos em contato com o MP para que a Maria Daniela e seus familiares sejam incluídos na proteção à testemunha, porque o risco é real. Não é brincadeira. " destaca Julia Nunes
CONHEÇA O CASO
Maria Daniela sofreu graves sequelas após o crime. Segundo denúncia do MP-AL (Ministério Público de Alagoas), a jovem, à época com 19 anos, foi sedada, espancada e estuprada em uma chácara na zona rural de Coite do Noia, em 6 de dezembro de 2024. Ela ficou 19 dias internada, cinco deles em coma, e teve lesão cerebral causada por falta de oxigênio.
A investigação apontou indícios de violência. Laudos periciais identificaram substancias com efeito sedativo no organismo da vítima e o exame de corpo de delito constatou lesões compatíveis com violência sexual mediante força física. Com base nas provas e em depoimentos, o MP denunciou Victor Bruno da Silva Santos por estupro de vulnerável.
A defesa contesta a acusação.
Os advogados afirmam que a relação sexual foi consensual e sustentam que a investigação é incompleta.
Também alegam que não foram encontrados vestígios de sêmen do acusado nos exames periciais e pedem a reabertura do inquérito.
O que diz a defesa de Victor
Em nota, os advogados de Victor afirmaram que o acusado exercera o direito de apresentar sua versão dos fatos.
A defesa também criticou a divulgação de informações que classificaram como falsas, defendendo que o caso seja julgado com base nas provas do processo.
" A defesa técnica de Victor Bruno da Silva Santos informa que, nesta data, o acusado foi apresentado voluntariamente às autoridades competentes, por intermédio de seus advogados, a fim de ser ouvido em audiência perante o Poder Judiciário.
A apresentação espontânea e ato de confiança na Justiça. Victor Bruno comparece para exercer, no foro adequado - o processo, o direito constitucional de apresentar a sua versão dos fatos, submetendo-se ao contraditório e às determinações judiciais.
A defesa manifesta consideração à jovem e à sua família, e é precisamente por respeito a seriedade do caso que repudia, com veemência, a proliferação de notícias falsas, versões fantasiosas e narrativas construídas a margem dos autos, sem lastro em qualquer elemento de prova.
A divulgação irresponsável de fatos inventados viola a presunção de inocência, compromete a serenidade da instrução criminal e institui verdadeiro julgamento paralelo, incompatível com o Estado Democrático de Direito. Quem fabrica fatos e distorce provas não presta serviço à jovem, à Justiça ou à sociedade, apenas contamina o debate público e dificulta o que realmente importa: a reconstrução rigorosa dos fatos sob o crivo do contraditório.
Este caso será julgado pelo juiz natural da causa, com base exclusivamente na prova validamente produzida no processo, e não por manchetes, perfis anônimos ou tribunais de internet. Todos os esclarecimentos sobre o mérito serão prestados exclusivamente nos autos. "
Defesa de Victor Bruno da Silva
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