Começou o júri do trio acusado de mortes em UTI.
O julgamento dos técnicos de enfermagem começou nesta segunda-feira, em Brasília.
Reprodução Após o encerramento da audiência de instrução, ontem (8/6), do caso que apura as mortes de pacientes na UTI de um hospital particular do Distrito Federal, o promotor de Justiça Bernardo de Urbano Rezende afirmou que os interrogatórios dos réus não alteraram o entendimento do Ministério Público (MP) sobre o caso. Segundo ele, os depoimentos tiveram caráter predominantemente defensivo e buscaram atribuir a responsabilidade dos crimes a apenas um dos acusados.
“Há 27 anos no júri, estou cansado de ver essa questão de as pessoas tentarem jogar a culpa no outro. Essa é a estratégia adotada nesse processo. Eles querem que quem responda seja um só e que as outras duas sejam liberadas”, afirmou.
O promotor destacou que, na avaliação do Ministério Público, os elementos reunidos ao longo da investigação e da instrução apontam para a atuação conjunta dos três acusados.
“Todo o processo me permite cada vez mais estar mais certo em concluir, de forma absoluta, que os três agiram de forma unânime, todos os três visando matar aquelas pessoas”, declarou.
Com o encerramento dos interrogatórios, o processo entra, agora, na fase de diligências complementares solicitadas pela defesa. Após a análise desses pedidos, o Ministério Público apresentará as alegações finais.
Bernardo adiantou que pedirá formalmente que os três acusados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. “Eu entendo que tem provas mais do que suficientes, não só para ir a júri, mas para serem condenados”, disse.
O promotor ressaltou que a decisão caberá ao Judiciário após a manifestação de todas as partes. “A minha expectativa é que os três estejam sentados no banco dos réus para serem condenados”, afirmou.
Durante a entrevista, o promotor de Justiça Bernardo também rebateu questionamentos levantados pela defesa sobre supostas edições em vídeos utilizados na investigação.
Segundo ele, apenas trechos considerados relevantes para a apuração foram incorporados ao processo.
“Tudo o que interessa para o processo está no processo. Não tenho a menor dúvida disso”, concluiu.
Entenda o Caso
Marcela Camilly , Marcos Vinícius e Amanda Rodrigues
A investigação que chocou o DF teve início na véspera do Natal de 2025, após a Comissão de Óbitos do Hospital Anchieta identificar inconsistências e indícios de homicídio nos leitos da UTI.
Auditorias internas cruzaram prontuários médicos e registros de câmeras de segurança, flagrando movimentações suspeitas do trio. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), deflagrou a operação que resultou na prisão temporária dos suspeitos em janeiro deste ano.

Marcela Camilly Alves, 22, Marcos Vinícius Silva, 24, e Amanda Rodrigues de Sousa, 28,
Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as substâncias letais sem prescrição. Inicialmente, ele negou os fatos, mas confessou a conduta após ser confrontado com os vídeos que mostravam ele utilizando o computador médico para obter acesso ao sistema e aplicando os fármacos. À época, os delegados do caso destacaram a frieza dos investigados diante das imagens.
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