Gaeco prende suspeitos com plano de assassinato
Operação mira infiltrados suspeitos de ajudar plano do PCC contra promotor do Gaeco
Foto da mansão em Campinas/PMSP A Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira, 9 de junho, pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio da Polícia Militar, prendeu três pessoas investigadas por suposta ligação com o plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco de Campinas, no interior paulista.
Entre os presos estão o ex-estagiário do MPSP Gabriel Lira de Jesus e o investigador da Polícia Civil Maurício Aparecido de Oliveira. O terceiro alvo preso é um policial penal, cujo nome não foi divulgado oficialmente.
A operação é tratada como um novo desdobramento das investigações que, em 2025, revelaram uma trama para executar o promotor. Na ocasião, o atentado foi frustrado antes de ser colocado em prática.
Ex-estagiário é apontado como peça importante do esquema
Um dos principais alvos da ação é Gabriel Lira de Jesus, que atuou como estagiário no Ministério Público de São Paulo. Segundo a investigação, ele teria usado o cargo para acessar dados internos, sistemas de consulta e informações privilegiadas.
A suspeita é de que Gabriel identificava criminosos com alto poder financeiro e, a partir dessas informações, passava a extorquir dinheiro em troca de uma suposta proteção contra investigações conduzidas pelo Gaeco. Para os investigadores, o ex-estagiário não apenas teria se aproveitado do acesso aos sistemas do MP, mas também estaria ligado ao grupo investigado por envolvimento no plano contra o promotor Amauri Silveira Filho.
Gabriel foi preso por equipes do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) em uma mansão de alto padrão, em Campinas. Durante a ação, foram apreendidos documentos e dispositivos eletrônicos, que serão analisados pelo Gaeco.
Investigador da Polícia Civil também foi preso
O segundo preso é o investigador Maurício Aparecido de Oliveira, atualmente lotado no 1º Distrito Policial de Campinas. De acordo com o MPSP, na época em que o plano contra o promotor era articulado, ele chefiava a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), ligada à Deic de Campinas.
A investigação aponta que Maurício foi gravado em uma reunião com o empresário José Ricardo Ramos, apontado como um dos principais mentores do plano de execução do promotor. O encontro teria ocorrido um dia antes da operação que impediu o atentado.
O Gaeco apura se o policial civil forneceu informações privilegiadas e sensíveis ao grupo investigado. Maurício foi preso pela Corregedoria da Polícia Civil e encaminhado a uma unidade prisional destinada a agentes policiais infratores.
Policial penal também é alvo da investigação
O terceiro preso é um policial penal. O Ministério Público não detalhou qual seria a função dele no esquema, mas informou que ele também é investigado por supostamente usar o cargo público para obter benefício ilegal. A prisão foi formalizada pela Corregedoria da Polícia Penal no município de Cardoso, no interior de São Paulo. A operação contou ainda com apoio das corregedorias das polícias Civil e Penal. A Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanhou diligências porque houve cumprimento de mandado em escritório de advocacia.
Plano contra promotor foi descoberto em 2025
O promotor Amauri Silveira Filho atua no Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, o Gaeco, em Campinas. Ele era alvo de um plano atribuído a integrantes do PCC, que pretendiam executá-lo em razão de investigações contra a facção.
As apurações apontam que o grupo teria buscado veículos, armamentos e apoio logístico para preparar uma emboscada. A ação criminosa foi descoberta antes da execução.
Com a nova fase da investigação, o MPSP tenta identificar como informações internas teriam chegado a criminosos e qual foi o grau de participação de agentes públicos no esquema. As investigações continuam.
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