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Maringá,09/06/2026

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Acusados por ataque com soda cáustica em julgamento

Réus respondem por tentativa de feminicídio qualificado

TarobanEwsG1/PortalEdsonValerio
Acusados por ataque com soda cáustica em julgamento Isabelly Aparecida/ Reprodução

O julgamento dos acusados pelo ataque com soda cáustica contra Isabelly Aparecida começou nesta segunda-feira (8), em Jacarezinho - Paraná.
A sessão do Tribunal do Júri começou às 9h e os réus respondem por tentativa de feminicídio qualificado. Entre as qualificadoras apontadas pela acusação estão motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo a decisão de pronúncia, caberá aos jurados analisar se o crime ocorreu em contexto de violência contra a mulher e se as qualificadoras ficaram efetivamente comprovadas durante o julgamento.
O caso aconteceu em maio de 2024 e teve grande repercussão em todo o Paraná. Isabelly foi atacada com soda cáustica em uma rua de Jacarezinho e sofreu queimaduras graves no rosto e no peito. Parte do produto também foi ingerida pela vítima, que precisou ser internada em estado grave no Hospital Universitário de Londrina. A investigação apontou que o ataque teria sido motivado por ciúmes. A principal suspeita foi presa dois dias após o crime.
Durante a sessão do Tribunal do Júri serão ouvidas testemunhas e os acusados poderão ser interrogados. Após os debates entre acusação e defesa, os jurados decidirão sobre a responsabilidade criminal dos réus. Isabelly atualmente mora em Londrina e trabalha na comercialização de veículos e cursa o quinto período de Direito. A jovem segue reconstruindo a vida após o trauma e tem demonstrado força e determinação para retomar a rotina e os projetos pessoais.
Marlon Ferreira Lemes e Débora Aparecida Custódio Ferreira estão presos por serem suspeitos de atacar isabelly. — Foto: Reprodução/RPC/PM-PR
Os acusados de atacar Isabelly são o ex-namorado dela, Marlon Ferreira Lemes, e Débora Aparecida Custódio Ferreira, que na época era companheira dele.
Débora foi presa pela Polícia Militar dois dias após o ataque. Enquanto isso, Marlon já estava preso por um roubo de celular.
Segundo o Ministério Público, a análise dos dados do celular de Débora revelou que Marlon planejou o crime. Conforme a denúncia, mesmo preso, ele planejou o crime e convenceu Débora a aderir ao plano e atacar Isabelly.
Desde então, Marlon está preso preventivamente na Penitenciária Estadual de Londrina e Débora está na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina.
Os dois foram denunciados pelo Ministério Público (MP-PR) no dia 7 de junho de 2024. No dia 16 de maio de 2025, a Justiça decidiu que eles seriam submetidos ao júri popular.
O que eles disseram em depoimento?
No documento, Marlon e Débora confessaram o crime em um depoimento prestado durante o processo. Marlon admitiu que planejou o crime com Débora. Ele disse que o objetivo era dar "susto" em Isabelly, pois supostamente ela estaria passando em frente à cadeia no horário de visitas e debochando de Débora.
De acordo com o documento, Débora praticou o ataque e lançou a soda cáustica em Isabelly.
Ela contou no depoimento que Marlon comprou o material antes de ser preso e fez pesquisas sobre o produto. A acusada também disse que ele a orientou a se disfarçar no momento do ataque. "Ele queria jogar a soda nela para deixá-la feia", contou Débora, no depoimento.
O que dizem as defesas dos acusados?
A advogada Tatiane Souza Paiva, que atua na defesa de Marlon, disse que o caso não possui elementos que caracterizem tentativa de feminicídio e confia que o julgamento vai ocorrer com base nas provas dos autos.
"A defesa de Marlon Ferreira Lemes reafirma que não existem provas seguras nos autos capazes de demonstrar que o acusado tenha ordenado, participado ou contribuído para os fatos narrados na denúncia. Além disso, sustenta que o caso não reúne elementos que caracterizem tentativa de feminicídio, inexistindo demonstração de intenção de matar, circunstância que será devidamente debatida perante o Tribunal do Júri. A defesa confia que o julgamento ocorrerá com base exclusivamente nas provas produzidas nos autos, em respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência", disse a advogada Tatiane Souza Paiva.
Em nota o advogado Jean Campos, que atua na defesa de Débora, disse que o julgamento será uma oportunidade de relatar as violências físicas, psicológicas e emocionais que sofreu ao longo dos anos, além de um histórico de abusos e agressões praticados por Marlon. Disse também que, durante o processo, a cliente conseguiu uma medida protetiva contra o ex.
"A defesa recebe com tranquilidade a proximidade do julgamento, pois será a oportunidade de Débora relatar, perante o Conselho de Sentença, toda a violência física, psicológica e emocional que sofreu ao longo dos anos, culminando nos fatos que serão analisados pelo Tribunal do Júri.
Durante a instrução processual, foram produzidas provas que revelam um histórico de abusos e agressões praticados por Marlon. No plenário, esses elementos serão apresentados e debatidos de forma ampla, permitindo que os jurados compreendam todo o contexto que envolveu os acontecimentos.
A defesa acredita que o Conselho de Sentença decidirá com base nas provas constantes dos autos e reconhecerá que Débora também foi vítima de Marlon, submetida por longo período a um ciclo de violência do qual não encontrou proteção efetiva, mesmo após situações que já eram de conhecimento das autoridades competentes. É no julgamento, diante dos jurados, que toda a verdade poderá ser exposta e analisada em sua integralidade", disse o advogado Jean Campos.




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